As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 09/07/2020

A modernidade nos trouxe agilidade, rapidez na resolução de problemas relacionados à mobilidade e facilidade de comunicação. Mas as relações pessoais também passaram por algumas modificações que são nítidas e que, de certa forma, já se consolidaram na sociedade atual e cujos efeitos já podemos sentir entre nós. Nesse mundo do imediatismo todas as relações se modificaram. Quase ninguém mais se esforça para resolver problemas em seus relacionamentos amorosos. Descartando-os, estamos blindados das dores causadas por eles, mas também dos seus prazeres. Os conflitos, tão importantes para o amadurecimento de qualquer relacionamento, são descartados, como sendo empecilho, em vez de estímulo. Se tornou comum, em torno de uma mesa de família ou de amigos, ver-se todos conectados. Mas não nas conversas e ideais, mas sim cada um, com seu celular, interagindo com pessoas que ali não estão ou até mesmo nem são seus conhecidos!

Bauman definiu como modernidade líquida um período que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial e ficou mais perceptível a partir da década de 1960. Esse sociólogo chamou de modernidade sólida o período anterior. A modernidade sólida era caracterizada pela rigidez e solidificação das relações humanas, das relações sociais, da ciência e do pensamento. A busca pela verdade era um compromisso sério para os pensadores da modernidade sólida. As relações sociais e familiares eram rígidas e duradouras, e o que se queria era um cuidado com a tradição. Apesar dos aspectos negativos reconhecidos por Bauman da modernidade sólida, o aspecto positivo era a confiança na rigidez das instituições e na solidificação das relações humanas.

Nesse contexto, as instituições ficaram estremecidas. O emprego tornou-se um empreendimento completamente individual no momento em que o indivíduo tornou-se um “empreendedor” de si mesmo. Se alguém não obtém sucesso nessa lógica da modernidade líquida, a responsabilidade é completamente individual.