As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 10/07/2020
Modernidade líquida e sua influência nas esferas sociais e no estado psicológico da população.
Ao descortinar do século XX, a contemporaneidade, marcada pelo advento do viés tecnológico, o remodelamento das relações interpessoais e o avanço da globalização, permitiram o crescimento dos centros urbanos e de diversas inovações tecnológicas no campo de mídia e redes sociais. Entretanto, as relações pessoais em tempos de modernidade líquida se tornam efêmeras e voláteis, resultado da influência do sistema capitalista e das formas de socialização digital.
A priori, modernidade líquida é um termo criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman e diz respeito a uma nova época em que as interações sociais, econômicas e de produção são frágeis, fugazes e maleáveis. Paralelamente a isso, pode-se ter como ponto de partida a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX, em que as relações econômicas passaram a se sobrepor às relações sociais e humanas, trazendo a fragilidade entre pessoas e de pessoas com instituições. Diante disso, a lógica capitalista de consumo faz com que a sociedade busque cada vez mais suprir suas angústias, vontades e necessidades na compra de produtos muitas vezes supérfluos, tendo como consequência o fetichismo e o consumismo.
Ademais, para Aristóteles, o homem é um ser naturalmente social e político (zoon politikon), e por isso não pode ser privado de estar em sociedade. Isto posto, as mídias sociais passam a atuar como uma ferramenta alternativa de socialização, que, no entanto promovem a superficialidade e a liquidez dos relacionamentos, já que na internet as pessoas vivem uma busca incessante por um padrão estabelecido e pela felicidade, que muitas vezes é incompatível com a realidade. À vista disso, esse modelo de perfeição inalcançável, está atrelado com o pensamento de que as pessoas são descartáveis, além de uma série de problemas psicossociais como depressão e ansiedade.
Portanto, a modernidade líquida corrompe todas as esferas da vida social, como o amor, o trabalho e a cultura. Nesse caso o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, devem exercer papel ativo na introdução das crianças e adolescentes no meio social, com o objetivo de romper com os padrões impostos e estabelecer laços emocionais firmes e duradouros, a fim de suprir a necessidade do homem como ser social, por meio de palestras informativas e campanhas de conscientização. Além disso, para garantir a saúde mental da população, como forma de controle de transtornos de depressão, ansiedade e o consumo em excesso, pode-se ter como medida disponibilizar acompanhamentos psicológicos gratuitos fornecidos pelo Estado em concordância com Ministério da Saúde.