As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 11/07/2020

Em consonância com os ideais de Zygmunt Bauman, a sociedade atual encontra-se em um momento chamado “interregno”. Isto é, não há uma definição precisa quanto ao modelo cultural que está sendo seguido, mas presencia-se uma constate mudança nas relações interpessoais, as quais estão se tornando cada vez mais frágeis e menos duradouras. Considerando que este processo provoca a desvalorização da coletividade e o apreço por bens materiais, é notório a necessidade imediata de intervenção.

Em primeiro lugar, segundo John Piper, “a marca da cultura do consumismo é a redução do ‘ser’ para ’ter’”. Em outras palavras, numa sociedade consumista, o ser humano passou a ser valorizado por aquilo que ele pode adquirir, e não por quem ele é. No cenário de uma sociedade individualista, é comum a presença do apreço por bens materiais, como maneira de ocupar os espaços vagos existentes em razão dos vínculos sociais superficiais e maleáveis. As redes sociais, nesse sentido, cooperam no desenvolvimento de tais relações, a partir do momento que criam contatos virtuais todos os dias, mas que são em grande parte efêmeros. Com base no exposto, evidência-se a necessidade de combater esse modelo em qual a sociedade se encontra.

Em segundo lugar, referindo-se aos reflexos dos relacionamentos líquidos, pode-se constatar dois principais: a instabilidade nas relações e o aumento nos índices de depressão e ansiedade. O primeiro, refere-se a incerteza na continuidade dos relacionamentos, os quais são cada vez mais moldáveis, podendo ser interrompidos bruscamente, da mesma maneira como foram gerados. Já o outro, mostra que o Brasil é o país com maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo, e o quinto maior em casos de depressão - dados apontados pela OMS. Portanto, pode-se dizer que, os vínculos instáveis afetam negativamente a população, causando danos mentais na vida de muitas pessoas. Nessa perspectiva, esse quadro precisa ser revertido.

Em síntese, urge que o combate à mobilidade líquida seja assegurado na prática afetiva. Cabe ao governo essa função, por intermédio da implementação do acesso a psicólogos nas escolas, por meio de palestras para alunos, pais e corpo docente sobre a importância de estabelecer vínculos duradouros e afetivos na formação do ser humano socialmente. É importante ressaltar o auxílio do Ministério da Saúde, na disponibilização de atendimentos psicológicos para a população, e no acompanhamento do número de casos de distúrbios mentais no país, procurando diminuir tais índices. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem combater as relações pessoais maleáveis vivências na sociedade brasileira.