As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 30/09/2020

O estado “físico” da modernidade

O polonês Zygmunt Bauman, influente filósofo contemporâneo, elaborou o conceito de “modernidade líquida” para descrever a situação de constantes mudanças da sociedade moderna. A liquidez dos tempos modernos é traduzida pela incerteza, dúvida, imprecisão, individualização e privatização da vida.

Assim como os fluidos, a modernidade líquida não possui uma forma fixa, está sempre se transformando, o que afeta diretamente as relações pessoais. Diferentemente da “modernidade sólida”, na qual os relacionamentos eram duradouros e havia a sensação de segurança, as relações da atualidade, também chamadas de “conexões”, são frágeis e superficiais. Não se criam vínculos profundos, podendo ser facilmente desfeitos.

Por causa disso, o sentimento de individualização acabou superando a coletividade. Na busca por sua identidade, as pessoas recorrem às mercadorias. A ideia capitalista de consumo passou a guiar a sociedade: o indivíduo é aquilo que ele pode comprar.

Portanto, na modernidade líquida, em que as coisas são efêmeras, frágeis, superficiais e individuais, há um medo constante, já que nada é garantido ou previsto. É necessário então que a sociedade estimule e fortaleça as relações duradouras, a fim de ultrapassar essas dificuldades da fluidez moderna.