As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 01/10/2020
Ser ou ter?
Consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, as relações sociais em tempos de modernidade líquida não é um problema atual. Desde a Revolução industrial, que se iniciou no século XVIII, essa vicissitude é uma realidade. De mesmo modo, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela falta de tempo ou de vínculos sólidos com o próximo.
A priori, é importante ressaltar que com a industrialização no século XX, o comportamento humano foi mudado. Prova disso, é a exiguidade de tempo e de momentos prazerosos vividos com a família e amigos. Ademais, muitas são as ocupações e tarefas diárias, não obstante o mais importante é muitas vezes esquecido, o convívio social. Como dizia Aristóteles, o homem é um ser social, sendo assim é necessário manter relações sólidas. Porém, o que acontece é exatamente o contrário, ver o pôr do sol, sentar para conversar por horas, tornaram hábitos atrasados e retrógrados.
Outrossim, persiste ainda, a ausência de diálogo social. Hodiernamente as redes sociais e os aplicativos de mensagens encurtaram os elos comunicativos, à medida que se conduzem de maneira fluida, sem consistência. Nesse princípio, o sociólogo Jurgen Habermas ensina que a dialogicidade faz-se um mecanismo essencial na esfera social e educacional dos povos. Ao passo que os indivíduos passaram a viver encapsulados em um mundo digital e assim tornaram-se individualistas e permitiram a liquefação de suas relações. Pode-se ver um exemplo na pesquisa do IBGE, a qual afirma que 116 milhões de brasileiros estão conectados à internet.
Infere-se, por conseguinte, que um homem sozinho não tece uma sociedade, ele necessita da formação de vínculos sólidos com o próximo. Destarte, cabe a cada ser humano desfazer sua fluidez, estabelecendo elos sociais mais palpáveis a partir da abertura de seus ideais, de forma a desconfigurar a cápsula da individualidade para a formação de relações estáveis e duradouras. Além disso, cabe ao Ministério da Educação incorporar em seu sistema de ensino o método de Paulo Freire, o qual defende que o diálogo e a práxis fazem-se fundamentais para um ensino humanizado, o que possibilitará a formação de cidadãos conscientes, engajados no estabelecimento de conexões sólidas e permanentes.