As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 27/09/2020

Durante a Terceira Revolução Industrial, um período de avanço tecnológico e da quebra de “fronteiras” de informações e da comunicação, as relações econômicas ficaram sobrepostas às relações pessoais e humanas, dando início à modernidade líquida. Essa modernidade afeta constantemente as relações pessoais, devido à incerteza causada pelo sistema capitalista e o uso das redes sociais.

Sem dúvidas, a incerteza causada pelo sistema capitalista na atualidade prejudica as relações pessoais, com isso, ressalta-se que não se sabe como será o futuro pois em um dado momento pode-se estar em um emprego mas não ter a certeza se permanecerá nele devido a dinâmica do capitalismo. Um estímulo para esse dinamismo são os baixos salários que levam as pessoas mudarem de um local para outro em busca de ter um melhor sustento estabelecendo apenas vínculos tênues com as pessoas o que afeta os laços pessoais.

Além disso, o uso das redes sociais por indivíduos interfere no relacionamento entre diferentes pessoas. De acordo com o filósofo italiano Maurizio Ferraris em um artigo do jornal La Repubblica, o Facebook embora ofereça uma ordem universal, a união entre diversas pessoas e a troca de amizades está na contramão em relação a vínculos sólidos. Embora as redes sociais sejam uma forma de aproximação entre os indivíduos, são mecanismos insolidos, na medida em que apresentarem funções que colaboram para isso, a exemplo do estreitamento da amizade somente por ‘’likes’’. Além de insatisfatório, esse novo tipo de aperto de mãos, o “like”, é uma conexão pequena e frágil nas relações humanas.

Diante disso, evidencia-se que as relações pessoais em tempos de modernidade líquida estão sendo prejudicadas e precisam ser restauradas. Assim, se faz necessário que as escolas promovam debates e palestras, a fim de informar e sensibilizar sobre a dinâmica, os prós e contras das relações pessoais via redes sociais. Além disso, é necessário que o Ministério do Trabalho, órgão responsável pelas questões relacionadas às relações trabalhistas, execute políticas salariais para a permanência das pessoas nos seus postos de trabalho, o que afeta a convivência e gera laços e relações pessoais duradouras.