As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 29/09/2020

A fluidez da realidade líquida

Atualmente, presenciamos uma “modernidade líquida” ‑ expressão formulada pelo filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman ‑ onde relações sociais são extremamente maleáveis, podendo serem desfeitas com a mesma facilidade que são construídas. Em nosso corpo social, não há uma rigidez ou solidificação em nossas ações, seguimos um modelo que nos é imposto, e assim adentramos em possíveis relacionamentos instáveis e de curta duração.

Bauman caracteriza a sociedade anterior ao ano de 1950 como sendo uma “modernidade sólida”, onde diversos relacionamentos eram estáveis e duradouros, isso advinha graças às equilibradas medidas políticas e financeiras da época, que somadas ao ritmo lento e previsível de mudanças sociais e culturais, retardavam grandes modificações morais nas comunidades da época. Após a década de 50, uma série de fatores - como crises econômicas, novas tecnologias e o avanço da globalização - afetaram a estabilidade humana, provocando uma renovação nas ações afetivas dos corpos sociais, resultando em comportamentos “líquidos”, presentes até o dia de hoje.

As relações sociais aspiram a serem cada vez mais modificadas. Na busca por um relacionamento amoroso perfeito (que acaba sendo idealizado), tendemos a confundir a intensidade de uma relação com o verdadeiro romance, tal fator resulta da rápida interação proporcionada pelos meios eletrônicos, que conectam casais rapidamente, sem nem haver um momento de reflexão por parte de ambos, assim impedindo a realização efetiva de um convívio saudável e duradouro.

Portanto, cobra-se de nós mesmos uma maior reflexão sobre os relacionamentos que adentramos, deve-se haver um pensamento crítico acerca das determinadas relações sociais que exercemos. Consultas com psicólogos ou psicanalistas devem ser incentivadas pelo Governo à população, para assim desenvolver um fortalecimento reflexivo por parte do individuo, exige-se ainda a atuação do Ministério da Educação (MEC) na realização de palestras em escolas, para dessa forma incentivar o uso da razão acerca de nossa realidade desde cedo em crianças e adolescentes.