As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 30/09/2020
Relações líquidas no mundo atual
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, defende a tese da sociedade líquida, no qual diz que as relações, com o passar do tempo, estão ficando cada vez mais superficiais e o contato entre os indivíduos é cada vez menor. Por meio disso, consegue-se relacionar a tese com os dias atuais, que caracteriza as relações pessoais como relacionamentos que se desfazem muito rápido, onde ocorre a falta de valorização moral, cooperando para conexões fracas e uma busca pela felicidade com sujeitos ansiosos e sobrecarregados.
Primeiramente, as redes sociais muito utilizadas atualmente proporcionam a ideia de que não se procura uma companhia afetiva e amorosa como era na modernidade sólida, mas se procura uma conexão (que pode ser sexual ou não) que resulte em prazer para o indivíduo. Por meio desse pensamento, é notável que a amizade e os relacionamentos amorosos são substituídos por conexões, que, a qualquer momento, podem ser desfeitas. Ademais, vale ressaltar que a busca imediata por relacionamentos efêmeros gera um ambiente instável e angustiante. Percebe-se, com isso, o crescimento consideravelmente do uso de antidepressivos e uma intensa busca de entretenimento como forma de afastar a sensação de vazio e de solidão.
Em segundo plano, é evidente que a lógica do consumo entrou no lugar da lógica da moral, assim, as pessoas passaram a ser fortemente analisadas não pelo que elas são, mas pelo que elas compram. A ideia de compra também adentrou nas relações sociais, e as pessoas passaram a comprar afeto e atenção. Deste modo, pode-se perceber que a afeição do ser individual está muito longe de ser alcançada, de maneira que a valorização virou um fetiche de consumo por bens pessoais, como estuda o sociólogo Karl Marx. Mediante isso, como esse prazer é rapidamente passageiro, o sujeito sente a necessidade de realizar compras constantemente, na tentativa de alcançar a felicidade.
Diante os argumentos citados, é necessário que o Ministério da Educação auxilie os cidadãos a reestabelecer conexões sólidas, por meio de encontros com psicólogos sobre interações sociais dentro e fora das redes virtuais, de forma que os indivíduos sejam capazes de retomar vínculos emocionais, duradouros e afetivos que supram a necessidade do ser humano como ser social, sem a necessidade da utilização de medicamentos para alcançar a felicidade. Ademais, é preciso que o Ministério da Cidadania conscientize a população sobre o controle pessoal por intermédio de palestras em instituições escolares e públicas, com o objetivo de diminuir o consumismo material e excessivo. Assim, tentamos reconstituir as relações pessoais tornando-as permanentes.