As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 01/10/2020

A vida e sua volatilidade

A cada ano que passa, a cada nova geração, os relacionamentos vêm se tornando mais líquidos, pois as pessoas tendem a pensar somente no presente, no agora em que estão vivendo, fazendo com que tudo ao redor seja apenas temporário, de momento. Além das relações pessoais mudarem em um ritmo superveloz, as instituições e as ideias se transformam de maneira muito rápida e imprevisível também.

Segundo um dos mais importantes sociólogos da atualidade, Zygmunt Bauman, “tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma”, ou seja, as relações afetivas, que atualmente se conectam apenas por laços momentâneos e volúveis, se tornam apenas superficiais e pouco seguras.

Ainda de acordo com Bauman, antes dos acontecimentos da segunda metade do século XX; em que houve o surgimento de novas tecnologias, da globalização e do capitalismo, que contribuíram para a perda da ideia de controle sobre os processos do mundo; as relações eram sólidas e a comunidade e os laços afetivos traziam a sensação de durabilidade e segurança. Naquela época, os valores mudavam-se em ritmo lento e previsível, fazendo com que trouxesse a sensação de certeza e controle sobre o mundo, porém, adequar-se nos dias atuais aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente, faz com que uma angústia, uma ansiedade constante e um medo de ficar para trás, de não se encaixar no “novo mundo”, tome conta de muitas pessoas.

Dado os fatos, a substituição da ideia de coletividade e de solidariedade pelo individualismo se tornou presente na sociedade, e a liquefação das formas sociais também, como trabalho, política, família e, até mesmo, da própria identidade. A aplicação de novas tecnologias deveria ganhar um ritmo mais moderado, pois nem todos podem acompanhar as novas formas do mundo, mas continuará aumentando para sempre. Tudo se tornou volátil, imprevisível e fácil de escapar das mãos, assim como a água, assim como a vida.