As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 28/09/2020
Fluidez
O grande filósofo contemporâneo, Zygmunt Baumont, critica em seu famoso livro “Modernidade Liquida” a liquidez da sociedade moderna, a necessidade falsa de conexão a todo momento.
Isso vem se tornando um problema pelo simples fato da falta do convívio familiar e preferência do convício virtual. Como Durkheim já disse, o comportamento familiar por meio da conversação é um fator determinante para a preparação do indivíduo para a sociedade e para seu senso crítico. Destarte, uma sociedade que fique ausente aos relacionamentos familiares tende a formar indivíduos despreparados ao convívio social, sendo esse o grande perigo que ameaça a sociedade contemporânea, haja vista que em torno de 70% da população acima de 12 anos utilizam dispositivos móveis em casa. Ademais, é válido salientar que a permanência desta mentalidade social está intrinsecamente ligada aos avanços no mercado publicitário. A indústria da mídia a todo momento vende a sociedade falsas necessidades, tais como: ter o dispositivo móvel mais recente, estar a todo o momento conectado as redes sociais, ao trabalho e a jogos eletrônicos. Assim, fazendo com que, gradativamente, mais pessoas adotem essas tecnologias.
Fica evidente, portanto, a necessidade da adoção de medidas capazes de reverter esse quadro social. Para tal, urge a mídia que decime e propague, por meio de seriados e novelas, a importância do relacionamento familiar para a sociedade a fim de desconstruir essa mentalidade social.
Além de tudo, cabe ao Governo Federal, com auxílio do Ministério da Comunicação, que crie um novo órgão regulamentador auxiliar ao CONAR com intuito de assegurar que não haja abusos do mercado publicitário em vender um “bem-estar social”. Somente assim, a sociedade evoluirá ao ponto de interromper essa liquefação social.