As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 28/09/2020

Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a liquidez e sua volatilidade são características que desorganizam todas as esferas da vida social. Sob esse viés, percebe-se que essas mudanças influenciam negativamente a vida humana, em especial, no que tange à revolução das relações pessoais hodiernas, logo, configura-se um grave problema. Esse agrave é causado, sobretudo, pela ascensão da internet e pelas cidades verticais.

Em uma primeira análise, é importante destacar o inconsciente uso da internet como fator da problemática. Consoante ao filósofo Bauman, o ser humano líquido adotou um novo modo de pensar, pois essa nova sociedade - tecnológica, com mudanças rápidas e estéticas - impede e sociabilidade entre as pessoas. Sob essa ótica, vê-se que o uso da internet criou uma revolução nas relações sociais, uma vez que , por meio das redes sociais, as pessoas passaram a criar laços fragmentados e sem diálogos, porque os contatos se dão apenas pelos aparelhos eletrônicos. Dessarte, essas relações frágeis e inconstantes, em maioria, tendem a serem temporárias e, assim, os indivíduos ficam propensos a adquirem doenças, como a depressão e a ansiedade, além de um vasto sentimento solitário.

Outrossim, as cidades verticais também colaboram para o problema. No poema “A gente se acostuma, mas não devia…”, de Marina Colasanti, é retratada uma sociedade de solidão, em que as pessoas se acostumaram morar em apartamentos cubículos sem diálogo com os vizinhos e amigos. De maneira análoga ao poema, na realidade contemporânea, as cidades passara por uma modernização, erguendo-se prédios e edifícios, desse modo, as pessoas tendem a ficarem apenas entre quatro pares, dificultando as relações sociais do século XXI. Destarte, sem relacionamentos entre vizinhos e amigos, somado com o sentimento de solidão, as pessoas desenvolvem as doenças psicossomáticas (conjunto de enfermidades físicas e mentais), principal consequência das negativas relações pessoais atuais.

Em síntese, cabe uma parceria público-privada entre o Ministério da Saúde e as redes televisas, na qual crie projetos que busquem enfatizar a importância do uso consciente das redes sociais e diálogos no cotidiano, isso deve ser feito por meio de propagadas - expostas em horário nobre. Essa ação tem o intuito de combater os impactos das fragmentadas relações sociais atuais, bem como lutar contra as doenças psicossomáticas - principal efeito do problema. Dessa maneira, a sociedade deixará de se acostumar com os problemas sociais e a solidão, apresentados por Marina Colasanti.