As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 05/10/2020

O exercício da alteridade e da empatia nos dias atuais

As relações sociais vivem tempos de modernidade líquida, caracterizada pela fragilidade e pela fluidez dos contatos sociais, segundo o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman. Deste modo, o individualismo do homem contemporâneo e a fragilidade das relações humanas têm como principal consequência o desenvolvimento da intolerância e do preconceito no corpo social dos dias atuais, dificultando a capacidade do indivíduo de se colocar no lugar do outro e reconhecer as diferenças. Sob esta ótica, devem-se discutir as causas e consequências que influenciam as relações sociais, a fim de ser possível construir uma convivência civilizada e reduzir a intolerância no cotidiano.

Nesse contexto, a era moderna é representada por uma sociedade de perfil individualista, em que cada indivíduo pensa somente em si mesmo e em seus próprios interesses, não se importando com o que acontece ao seu redor. Outrossim, a substituição da solidariedade e do coletivismo pelo individualismo tornam as relações humanas efêmeras, dadas por laços momentâneos e podendo ser desfeitas com facilidade.

À luz disso, de acordo com Aristóteles, “O homem é um ser social por natureza.” No entanto, a incapacidade de sentir empatia e, consequentemente, exercer a alteridade pelo próximo, abre espaço para ações etnocêntricas e preconceituosas, à medida que, apenas o que o eu-indivíduo pensa se torna importante para si próprio. Contudo, a empatia é uma força capaz de promover mudanças em diversos meios sociais, por possibilitar o desenvolvimento da inteligência emocional ao se colocar no lugar do outro e entender seus problemas. Assim, torna-se fundamental o reconhecimento de sua falta, para ser possível seu desenvolvimento e possibilitar uma melhor convivência em sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Faz-se necessário que o indivíduo se conscientize da importância de se colocar no lugar do próximo e tenha a capacidade de reconhecer as diferenças da sociedade, por meio do incentivo ao desenvolvimento pessoal, a fim de reduzir o preconceito e a intolerância, motivados pelo individualismo. Ademais, como disse Immanuel Kant “O ser humano é aquilo que a educação faz dele.” Portanto, é indispensável que o MEC promova palestras e debates nas escolas, com o objetivo de desenvolver em crianças e jovens, o exercício da alteridade e da empatia, para que cresçam em uma sociedade de convivência civilizada e de intolerância reduzida.