As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 13/12/2020
De acordo com a Geografia, um fenômeno da atualidade é o aniquilamento do espaço pelo tempo, ou seja, o ágil transporte de informações, produtos e pessoas, destruindo as fronteiras do mundo contemporâneo. De forma análoga, as relações pessoais também exterminaram o conceito de tempo. Segundo Zigmunt Bauman, a humanidade está vivendo em uma época na qual o vínculo entre as pessoas é instável e sofre constante mutação. É o que ele denomina modernidade líquida. Assim, surgem malefícios, como as decepções, o sentimento de solidão e a infelicidade, visto que os indivíduos não sabem mais em quem podem confiar e são constantemente desapontados. Tal problemática persiste por raízes pessoais e sociais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o individualismo tem grande influência nessa questão. Isso decorre do fato de que muitas vezes o ser humano moderno pensa só em si mesmo e não considera a realidade do outro. Nesse âmbito, o filósofo Thomas Hobbes dizia que “o homem é o lobo do homem”, ou seja, que ele seria uma ameaça à própria espécie ao se aproveitar dos mais fracos, apropriar-se do que é do outro e ter como prioridade máxima o bem estar individual. Dessa maneira, as relações existentes na sociedade tornam-se superficiais, já que são apenas fundadas em interesses e podem se desfazer a qualquer momento.
Ademais, outro fator a ser analisado é o imediatismo. No contexto da Revolução Industrial, a partir do surgimento da internet e da mídia, a população do mundo passou a ter como costume a rápida aquisição de conhecimento e mercadorias, além de poder se relacionar ao mesmo tempo com pessoas do mundo todo. Por conseguinte, quando os acontecimentos não ocorrem com a agilidade desejada e quando se percebe que não é possível controlar todas as situações surge o sentimento de angústia. Desse modo, com a rápida transformação dos indivíduos, ocorre a frustração e o distanciamento daqueles que não se adaptam ou que se assustam com isso.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem pessoal e social favorecem a instalação da modernidade líquida de Bauman na sociedade. Destarte, medidas são necessárias para resolver esse impasse. É papel da Organização Mundial das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) cooperar na formação de indivíduos sociáveis e felizes, por meio da criação de regras a serem seguidas por todos os países, para que as relações pessoais se tornem mais firmes. Entre tais imposições, deve ser norma a disponibilidade de aulas que incentivem a visar pelo bem comum nas escolas e de psicólogos gratuitos que sirvam de apoio emocional à população em momentos difíceis. Com essas ações será possível reverter e melhorar a atual realidade das interações humanas.