As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 28/10/2020

De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, a modernidade está em um estágio denominado “interregno”. A característica desse período é a falta de definição do modelo cultural da sociedade estabelecido no século XXI, ou seja, é o momento de estabelecer novas formas de relacionamento interpessoal e de pensar. Portanto, é imprescindível analisar a importância social da adoção de comportamento coletivo em detrimento do estabelecimento de relações pessoais.

Ao estabelecer uma nova identidade social, as relações fluidas são proeminentes, ou seja, as relações superficiais. Essas relações estão principalmente relacionadas com o mundo da globalização, digital e tecnológico, por um lado, aumenta a interação social, por outro, amplia o individualismo. Como resultado das relações fluidas, as interações sociais se estabelecem nas redes sociais, mas não se estabelecem como emocionais ou coletivas, portanto, a sensação de vazio é inevitável e traz também efeitos negativos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil uma das consequências dessas relações é a ansiedade, que atinge 9,3% da população, sendo o país com mais casos de ansiedade do mundo.

Além disso, outro fator de geração pelo crescente desenvolvimento do individualismo no modernismo líquido é o consumismo excessivo, que é uma das causas da depressão e da ansiedade, e uma forma de preencher as lacunas nas relações superficiais. Ou seja, a capacidade do ser humano de resolver problemas foi substituída pela compra de materiais/bens, pois além dos fatores psicopatológicos, existe também o sistema capitalista, que oferece subsídios pagos, como crédito financeiro e marketing. Nesse caso, a participação ambiental é afetada pela exploração dos recursos naturais e pelo acúmulo de resíduos e poluentes.

Portanto, o Ministério da Educação deve chegar a um acordo com a prefeitura municipal para aumentar a série curricular semanal dos cursos de ensino médio com psicólogos sobre interações sociais dentro e fora da rede virtual, para que os alunos criem vínculos afetivos e duradouros que atendam às necessidades da sociedade. Cabe ao Ministério da Saúde junto com as secretarias municipais, realizar acompanhamento psicológico mensal e consultas domiciliares para garantir que o número de casos de ansiedade seja reduzido e controlado, diminuindo assim o consumismo compulsório e consequentemente desistimulando a exploração de recursos naturais.