As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 18/10/2021

No livro “Clube da luta”, Chuck Palaniuk apresenta um grupo de homens que se reúnem para formar uma organização anarquista, em que, dentre seus principais objetivos, está o combate a relação de superficialidade do indivíduo frente ao trabalho, relações pessoais, política e principalmente o consumismo. Em relação ao romance, a sociedade contemporânea também demonstra sinais dessa superficialidade, em que o avanço das redes sociais ocasiona a liquidez nas relações entre pessoas, e o consumismo exagerado causa a banalização do vínculo entre empregado e empresa.

Em primeira análise, com o avanço das redes sociais, a interação entre indivíduos mostra-se por muito facilitada. Porém, essa relação ocorre de forma dissimulada, ocasionando a fragilização dos laços estabelecidos. Pois segundo Zigmunt Bauman, a sociedade contemporânea adentrou em um estado de lógica do consumo, em as pessoas não são mais julgadas pelo que são e sim pelo que possuem. Sob esses viés, a busca por conhecimento e reflexões sobre a interação humana é substituída pela necessidade do consumismo exarcebado, que por sua vez, tranforma indivíduos em consumidores e escravos desse atual sistema capitalista.

Ademais, o ideal consumista presente na sociedade, condiciona as pessoas também no mercado de trabalho. Assim como no filme “Tempos modernos”, de Charlie Chaplin, o trabalhor é tratado como uma mera engrenagem e se é esperado deste uma mecanização profissional, no intuito de atender a demanda do mercado de produção, no chamado sistema fordista. Logo, não é difícil notar, que a  relação entre indivíduos e instituições está imerso em uma liquidez supérflua, capaz de transformar pessoas em escravos consumistas. Sendo esta condição o cenário ideal para as grandes empresas ampliar ainda mais seus domínios e facilitar que governos autoritários se mantenham no poder, uma vez que o senso crítico coletivo está deteriorado.

Portanto, é dever do ministério da educação - que deverá passar a ser formado por intelectuais renomados, e não integrantes políticos do governo-, reavaliar a grade curricular presentes nos ensinos fundamental e médio, ampliando a quantidade de aulas voltadas a reflexão da sociedade atual e no conhecimento de sistemas sócio-políticos do passado, por meio de exibição de filmes e leituras coletivas de livros consagrados. Dessa forma, aguçando nos estudantes o senso crítico e dando lhes a oportunidade de discernir o seu futuro e assim tendo uma real possibilidade de reverter esse quadro de liquidez na sociedade.