As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 24/07/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à previdência social como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal benefício não se tem evidenciado com ênfase, na prática, quando se observam os desafios dos relacionamentos líquidos na sociedade brasileira,dificultando, assim, a universalidade desse direito social tão importante. Diante dessa, situação, faz-se necessária a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para auxiliar no combate à liquidez dos relacionamentos atuais, como políticas públicas de incentivo à natalidade. Nesse sentido, é importante salientar que diversos são os impactos gerados pela liquidez dos relacionamentos atuais na sociedade brasileira: baixos índices de natalidade, envelhecimento populacional, ausência de mão de obra nacional, entre outros. Essa situação, segundo os ideais do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a previdência social, o que lamentavelmente é evidente no Brasil.
Além disso, é fundamental destacar que uma baixa nos índices de natalidade pode ocasionar uma crise econômica no país, situação resultante do envelhecimento populacional em conjunto com uma maior necessidade de acesso à previdência social. Vale salientar, ainda, que a liquidez dos relacionamentos atuais é uma das resultantes da redefinição do papel social dos gêneros, sendo o machismo uma importante incógnita a ser solucionada para melhor fluidez das relações atuais. Logo, é inadmissível que esse cenário continue uma realidade.
Percebe-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é
imprescindível que o governo federal, esfera de maior poder do país, por meio da criação de políticas públicas, direcione verbas para a criação de órgãos especializados no incentivo à natalidade no país, a fim de atenuar essa ameaça à economia nacional. Assim, consolidar-se-á uma sociedade mais empática na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, como afirma John Locke