As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 28/05/2024
Nos últimos anos, um fator social vem chamando a atenção de estudiosos ao redor do mundo, a mudança nos relacionamentos interpessoais no período moderno.
Os efeitos motivadores das transformações comportamentais são diversos, como por exemplo a crescente alta nas jornadas de trabalho e a pandemia do COVID-19.
A partir do momento em que a relação entre pessoas foi reduzida, seja propositalmente (como nos períodos de quarentena) ou de forma indireta, as consequências se mostram mais visíveis.
Combinado a esses fatores, o comportamento ansioso e a busca por dopamina rápida se tornou outra expressiva “doença” na sociedade, onde relações sólidas, que demandam esforço e dedicação (assim como bons momentos, é claro), perdem espaço nas prioridades pessoais.
É nesse cenário que surge o conceito, que ganhou relevância com o polonês Zygmunt Baumam, da modernidade líquida, as relações altamente voláteis e pouco resistentes.
Esse termo revela mais do que uma análise da sociedade, revela um problema; pessoas estão perdendo a capacidade de interação com outras e, consequentemente, até problemas de saúde, como a depressão.
O ser humano é um ser social que demanda o estabelecimento de relações em coletividade, a extrema exigência quanto “ao outro” e a delimitação estrita de limites de profundidade podem acarretar consequências sérias, é essencial o aprendizado da vida em colaboração.
A análise da situação revela a urgência do desenvolvimento de estratégias para reverter a ,infeliz, tendência.
Governos devem estabelecer limites nas cargas horárias dentro das empresas, assim como ampliarem os investimentos em lazer para facilitar o acesso a vida em comunidade, para que esses momentos deixem de ser uma preocupação e passem a ser, da maneira como se devia, verdadeiros escapes das rotinas.
O que é bom, demanda esforço.