As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 29/05/2024
A sociedade vigente impede a formação de raízes profundas para com outros, devido ao dinamismo que afeta as relações interpessoais, limitando toda instância de aproximação ao superficial. Tal efeito pode ser percebido, de forma hiperbólica, na obra distópica “Black Mirror”, que em um dos episódios da 4ª temporada os indivíduos possuem notas que oscilam de 0 a 5 e dependem dessa avaliação para conseguir moradias e empregos, requerindo com que mantivessem relações, por mais falsas que seja, com objetivo de aumentar suas “estrelas”.
Portanto, os laços criados com as pessoas, por muitas vezes, não possuem enfoque no afeto ou na consideração diante do próximo, mas sim na possibilidade de se beneficiar a partir dela, muito pelo famoso “medo líquido”, a apreensão de perder seu emprego em uma conjuntura social que faz com que os trabalhadores se tornassem obsoleto em um ritmo alarmante e também no medo de ser rapidamente substituído, à medida que todas as relações se tornam efêmeras.
Ademais, quando se olha os dados de desemprego em cenário nacional de quase 8%, segundo o IBGE, funconando como um fator agravante na criação de vínculos, restringindo-os à níveis rasos, vez que, o mercado de trabalho brasileiro possui, por muitas vezes, jornadas exaustivas e exploratórias para o trabalhador, limitando os elos que poderiam ser feitos por ele no tempo livre que ele tem disponível, que é extremamente curto. Para além do campo profissional, uma sociedade na qual as relações pessoais são líquidas e inconstantes, muitos abrem mão de fazer o que realmente gostam de fazer para seguir o que é socialmente aceito, sendo tal fato ameaçador para a satisfação do próprio indivíduo.
Por fim, na intenção de reverter um cenário que parece intransigente e imutável, é preciso tomar medidas que visam solidificar e fortificar as raízes de afeto com os outros. Métodos efetivos para alcançar esses resultados são campanhas em mídias sociais com intuito de tirar a pressão de seguir o que é socialmente aceito,a fim de possibilitar com que os cidadãos façam o que lhes efetivamente trazem felicidade e no que tange ao mercado de trabalho, reinvidicar jornadas mais humanas e flexíveis para que o trabalhador possa focar em seus vínculos com amigos e familiares.