As relações pessoais em tempos de modernidade líquida

Enviada em 29/05/2024

A modernidade líquida, termo desenvolvido pelo autor Bauman, traz uma ideia de fluidez exatamente pelo movimento dos líquidos em oposição a uma sociedade com regras e normas solidas. Liquidez social é o ato de individualmente se adaptar as novas modalidades sociais, econômicas, políticas com fluidez. Junto com essa adaptabilidade vem o sentido de incerteza e instabilidade, abalando as gerações passadas e as instituições tradicionais que antes o grande foco era a produção e agora a nova sociedade se caracteriza pelo consumo onde o valor é dado à aquisição de bens e experiências temporárias e descartáveis, afetando também as carreiras que se tornam instáveis e temporárias e uma necessidade constante de requalificação e adaptação.

Apesar da modernidade líquida trazer uma nova visão mais aberta e flexível, junto a isso o sentido de afeto se banaliza, a profundidade e o compromisso das relações são fortemente afetados pelo individualismo exacerbado. Onde um casamento se torna uma união estável que se torna apenas um " ficar" sem compromisso. Essa desvalorização da profundidade das relações humanas distancia as pessoas até o ponto de solidão completa e desamparo abrindo portas para quadros psíquicos em massa deixando um mecanismo de produção de uma sociedade inteira comprometido. Um mundo onde tudo é instável não há espaço para uma mente estável.

A modernidade líquida desafia a reflexão sobre as implicações da instabilidade contínua e da responsabilidade individual em um mundo onde nada parece ser duradouro. Precisamos buscar pelo equilíbrio de um mundo onde se valoriza o indivíduo mas não exclui o coletivo, pois em uma sociedade um não se sustenta sem o outro e cada vida importa.