As relações pessoais em tempos de modernidade líquida
Enviada em 06/06/2024
Certo dia, Pedro e Joana foram ao cinema juntos. Enquanto assistiam ao filme, deram as mãos, se abraçaram e se beijaram; depois, saíram juntos do cinema e foram para suas casas. Após esse dia, eles nunca mais se encontraram ou se falaram. Assim acontecem as relações na modernidade líquida. Segundo Zygmunt Bauman a modernidade líquida possui, assim como os líquidos, uma “incapacidade de manter a forma”, ainda assim, sua constante instabilidade é o que a faz existir.
Diante de tantas incertezas, as pessoas vivem um eterno conflito interno entre o compromisso e o medo dele, a busca pela permanência e a impermanência constante. Assim, se cria uma sociedade com tamanha agitação, sempre fluindo muito rapidamente entre as constâncias e as inconstâncias, é incapaz de se aprofundar no outro. Com isso, é notável uma grande quantidade de pessoas que procura, desesperadamente, estar dentro de relacionamentos, sejam eles de quaisquer natureza, mas têm medo de verdadeiramente se conectar a outras pessoas. Ou seja, as relações se tornam obrigatoriamente frágeis, tão efêmeras e superficiais, que é extremamente fácil fazer e desfazer-se delas.
Ainda assim, tais conexões humanas demonstram ser apenas um reflexo do sistema em que vivemos, o capitalismo. E, bem como ele, estabelece apenas um tipo de vínculo: o de oferta e demanda; o de produto e cliente. Por isso, as pessoas se tornam incapazes de enxergar umas às outras como indivíduos complexos, se veem apenas como consumidores; e as relações, se limitam a simples produtos, que podem ser adquiridos e descartados com simplicidade.
Tendo em vista que percepções rasas como estas são prejudiciais para a sociedade, é inegável que o povo constituinte dessa modernidade líquida é refém dela e do sistema que a faz possível. Desta forma, é necessário que o Ministério das Comunicações, como órgão fundamental para fomentar a formação de indivíduos brasileiros capazes de desenvolver criticidade, realize campanhas de conscientização em escolas e faculdades a respeito das implicações do consumismo nas relações humanas. Sendo assim, uma vez conscientes, os jovens serão capazes de discernir até que ponto o individualismo compensa.