Aumento da expectativa de vida no Brasil

Enviada em 03/09/2019

Durante o Período Colonial, as condições desumanas de trabalho e saneamento - sobretudo no que diz respeito aos escravos - diminuíam consideravelmente a longevidade da população brasileira. Entretanto, quando se observa o atual cenário do país, verifica-se que essa dura realidade já foi superada graças aos avanços da medicina e das tecnologias. Nesse contexto, o aumento da expectativa de vida no Brasil se interpõe como pauta que merece ampla discussão em pelo menos dois aspectos: as desigualdades regionais e os desafios à economia.

Em primeira análise, cabe pontuar que as disparidades entre as regiões devem ser superadas. De acordo com o pensador inglês John Locke, considerado o pai do liberalismo político, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais aos indivíduos de maneira igualitária. No entanto, a oferta de serviços essenciais, como saúde e saneamento básico não ocorre de maneira homogênea em todo o território, o que promove acentuadas diferenças na longevidade de determinados locais. Comprova-se como isso ocorre ao analisar os dados obtidos em 2017 pelo IBGE, os quais apontam que a população de Santa Catarina possui 7 anos a mais de vida que a do Maranhão. Diante disso, verifica-se que as desigualdades socioeconômicas geram menor desenvolvimento de alguns locais em detrimento de outros e, consequentemente, menor tempo de vida.

Ademais, convém frisar que o aumento da expectativa dos brasileiros também gera influencias na economia. Isso ocorre por conta da exclusão dos idosos do mercado de trabalho que, juntamente com índices de natalidade cada vez menores, promovem a escassez de “mão de obra” economicamente ativa. Esse fenômeno representa perdas significativas ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, haja vista que diminui a arrecadação nacional e eleva os custos previdenciários. Dessa forma, percebe-se que a dificuldade de inserção dos mais velhos no cenário econômico se presenta como uma problemática a ser contornada na atualidade.

Levando em consideração esses aspectos, torna-se evidente que essa questão possui entraves que precisam ser revestidos. Logo, o Governo Federal deve promover o desenvolvimento igualitário em todos os estados da federação, por meio de mais investimentos em saúde e saneamento básico, principalmente nas regiões mais pobres, de modo que a longevidade da população ocorra de forma homogênea e não se restrinja a determinados grupos. De outra parte, o Ministério da Educação e Cultura deve organizar “workshops” de tecnologia e interação digital para os idosos, com o intuito de aproximá-los da modernidade e do cenário econômico atual. Assim, uma vez instituídas tais ações, os problemas relacionados ao aumento da expectativa de vida no Brasil serão, de fato, minimizados.