Aumento da expectativa de vida no Brasil
Enviada em 05/09/2019
De acordo com o artigo 3º da Constituição Federal de 1988, é objetivo fundamental da República Federativa do Brasil promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Entretanto, tendo em vista a marginalização da população idosa no Brasil, percebe-se que tal objetivo não é alcançado. Diante disso, deve-se analisar como a negligencia do poder público e dos familiares provocam a problemática em questão.
É primordial ressaltar que os familiares negligenciam os cuidados com os idosos os quais são responsáveis. Isso ocorre devido à sociedade hipercapitalista e seu desejo insaciável de obtenção do máximo lucro monetário, fazendo com que as famílias precisem passar mais tempo trabalhando, do que cuidando do idoso o qual é responsável. O sociólogo Zygmunt Bauman, explica tal fato com sua teoria sobre a modernidade líquida, para ele, a sociedade é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista que o individualismo e a falta de empatia são as principais características do mundo contemporâneo, logo, a falta de empatia, faz com que as pessoas não pensem nos indivíduos que dependem de seus cuidados. Por consequência, dados do Ministério da Saúde, mostram que entre os anos de 1980 e 2012, houve um aumento de 215,7% nos casos de suicídio entre os idosos no Brasil. Assim, deixando claro que no século XXI, o idoso não possui voz e nem espaço.
É preciso, porém, reconhecer, que o aumento da expectativa de vida, exige do governo, maiores investimentos em políticas públicas na área da saúde. Isso ocorre devido aos problemas crônicos que tendem a surgir à medida que a população envelhece, como doenças cardiovasculares e diabetes, que necessitam de um suporte clínico contínuo por meio de profissionais qualificados. Segundos dados do ELSI-Brasil (Estudo longitudinal da saúde dos idosos brasileiros), cerca de 70% dos idosos possuem alguma doença crônica e 75,3% dependem exclusivamente dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde (SUS). Logo, a melhora nas condições de saúde dos idosos, faz com que tenham um envelhecimento saudável e dependam menos de seus familiares, tendo uma maior dependência.
Torna-se evidente, portanto, que investimentos do Estado são imprescindíveis para amenizar tal problemática. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve, a fim de aumentar a qualidade vida dessas pessoas, direcionar investimentos aos postos de saúde, contratando profissionais qualificados e especializados na área da geriatria. Isto é, o aumento no número de médicos, diminui o tempo de espera para as consultas serem realizadas e assim, obtêm maiores chances de diagnosticar e tratar doenças de forma precoce. Ademais, o governo estará contribuindo com um de seus deveres para promover o bem da população.