Aumento da expectativa de vida no Brasil

Enviada em 19/09/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que cada sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca o aumento da expectativa de vida no Brasil, é nítida a influência dos diversos atores sociais sobre a repercussão desse tema. Nesse contexto, torna-se pontual não apenas questionar como o papel governamental pode proporcionar um aumento do bem-estar social no envelhecimento da população, mas também analisar seus impactos no organismo social.

Em primeira observação, cabe compreender a importância estatal na promoção de saúde, seja ela física ou psicológica, aos seus indivíduos. Nessa prerrogativa, evidencia-se a percepção de Bourdieu, na medida em que o Estado se torna um influenciador das peculiaridades sociais e construtor dos atores sociais. Cabe salientar, no entanto, a evidente mudança que urge no sistema de saúde brasileiro, pois, com o envelhecimento da população, serão cada vez mais requisitados recursos e práticas médicas voltadas para essa parcela idosa. Configura-se como determinante, portanto, a necessidade de uma reforma no setor de saúde pública para, assim, melhor atender as pessoas da terceira idade, visto sua maior dependência nesse setor nesse estágio das suas vidas.

Paralelamente à questão institucional, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate a essa problemática. Atesta-se, dessa maneira, a ótica de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem o aumento da expectativa de vida restrita a certos grupos sociais como uma afronta à democracia, pois, na medida em que esse índice aumenta para a elite social e cai para a população pobre, evidencia-se o não cumprimento do artigo 5 da Constituição Federal, que prega a isonomia social. É evidente, por conseguinte, a diferença implícita de tratamento aos diferentes grupos da sociedade, sendo importante a participação social para reverter este quadro.

Haja vista as problemáticas decorrentes do aumento da expectativa de vida no Brasil, é mister a implantação de medidas para detê-los. A princípio, é fundamental que o Ministério da Saúde fomente o apoio aos idosos pela criação de hospitais especializados em práticas preventivas e curativas dessa população, de modo a promover índices de bem-estar e saúde que acompanhem o processo de envelhecimento dessas pessoas. Ademais, cabe ao Ministério da Educação o incentivo ao debate da segregatividade do envelhecimento restrito a grupos, podendo isso ser feito pela criação de políticas educacionais que, desde a primeira infância, promovam palestras e dinâmicas de fomento a democratização dos bens e serviços sociais. Com essas iniciativas, espera-se que o agrupamento social proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.