Aumento da expectativa de vida no Brasil

Enviada em 15/05/2020

No filme “O curioso caso de Benjamin Button”, é retratada a história da velhice de um modo contrário ao natural, no qual o ser humano nasce velho e, à medida que os anos passam o indivíduo vai ficando mais jovem, contrariando a sequência natural. Entretanto, a obra de ficção demonstra a realidade contrária a atual, e com o avanço da medicina aliada a diversos fatores, a expectativa de vida da população está cada vez maior. Nesse sentido, com o envelhecimento populacional, a sociedade necessita de adaptação no intuito de se preparar para a idade vulnerável. Então, tanto o abandono familiar, quanto o preconceito social, mutilam a cidadania e divergem do que está definido no Estatuto do Idoso.

Nesse cenário, vale salientar que, parte da população tem o hábito de jogar fora materiais quando estes estão velhos e inúteis. Para entender essa lógica, pode-se mencionar o filósofo estadunidense Sebastian Kincled, o qual, no livro “O envelhecimento social”, ratifica que a sociedade “coisifica” o idoso e descarta este quando não lhe é mais útil. Sendo assim, este mal deve ser combatido, pois o abandono afetivo que muitas famílias cometem com seus idosos, é crime previsto no Estatuto do Idoso, e esta não deve ser mais uma lei que permanece no papel. Dessa forma, o poder público tem a obrigação de cumprir o que diz o Estatuto, e punir com prisão aqueles que abandonam seus vulneráveis, dada a gravidade do delito.

Ademais, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à inclusão social dos idosos, seja em escolas ou mercado de trabalho. Todavia, a existência da discriminação contra os mais velhos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras ao preconceito social que marginalizam a “melhor idade”.

Portanto, para mitigar o problema elencado, faz-se necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia, crie um canal de comunicação mais efetivo com a sociedade, por intermédio de aplicativos, divulgados em redes sociais, como o Facebook, para que denuncias de abandono de idosos sejam registradas, garantido voz a essa parcela mais fragilizada. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Cidadania, elaborar, por meio de publicidade, campanhas educativas, nas mídias sociais, como Twitter e Instagram, com foco nos direitos dos idosos, para que a sociedade tenha consciência do crime que é o abandono efetivo e acolher melhor seus anciãos.