Aumento da expectativa de vida no Brasil

Enviada em 30/09/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta. Com efeito, percebe-se que o despreparo do país para lidar com o aumento da expectativa de vida da população alude à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência à saúde dos cidadãos. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar a saúde mental dos idosos e a desigualdade socioeconômica brasileira.

Nessa perspectiva, é lícito postular que o envelhecimento não é refletido apenas no físico do indivíduo, mas também em seu estado mental. De fato, Sigmund Freud, criador da psicanálise, cita a importância do trabalho e do amor na vida do homem. A realidade dos idosos, entretanto, afasta-se dessas duas vertentes, visto que a necessidade de aposentadoria resulta no afastamento da seara laboral. Além disso, muitos experienciam o distanciamento de familiares que, focados em sua individualidade, não disponibilizam tempo para os idosos. Logo, verifica-se que esse cenário perpetua os males do aumento da expectativa de vida, uma vez que propicia o surgimento de doenças psicossomáticas – como a depressão – na terceira idade.

Por conseguinte, deve-se avaliar o panorama de desigualdade que assola o Brasil. Decerto, sabe-se que o desenvolvimento da escolaridade, do sistema de saúde e do saneamento básico proporcionaram o aumento de expectativa de vida. Entretanto, a maioria da população não possui acesso a tais serviços, posto que são marginalizados devido ao baixo poder aquisitivo, que aprisiona esse segmento da sociedade em habitações insalubres, além de impedir que os mesmos tenham acesso a um sistema de saúde eficaz. Constata-se, assim, um terreno fértil para a permanência das dificuldades que acompanham o aumento da expectativa de vida no Brasil.

É imprescindível, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, aliado à mídia, ampliar a divulgação de campanhas publicitárias – direcionada, principalmente, aos jovens – acerca da saúde mental dos idosos. Essa ação deve ser feita por meio de verbas governamentais, com o fito de impedir o desenvolvimento de doenças mentais nos mais velhos. Outrossim, urge que ativistas políticos realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica. Essa ação objetiva confrontar o descaso das autoridades em relação à falta de políticas públicas para erradicar a desigualdade socioeconômica no país. Assim sendo, a violência citada por Sartre contra a saúde dos idosos será erradicada do Brasil.