Aumento da expectativa de vida no Brasil

Enviada em 12/03/2021

Na Grécia Antiga, durante o Período Homérico, a sociedade era organizada por meio dos genos, grandes famílias que eram lideradas pelos “patris”, cargo ocupado por anciões os quais eram muito respeitados e tinham grande status social na época. Em paralelo com a atualidade, porém, o aumento da expectativa de vida não manteve o prestígio da população idosa, em especial no Brasil, já que é possível observar que essa enfrenta problemas mediantes à inclusão social e ao mercado de trabalho. Diante disso, fica clara a necessidade de discutir sobre a estigmatização dos indivíduos dessa faixa etária além da dificuldade que esses enfrentam na procura de emprego.

Em primeira instância, é importante ressaltar que a estigmatização da figura do idoso acaba sendo um grande impedimento para sua integração social. Lévi-Strauss, antropólogo belga, implica com o termo “estruturas ocultas” formas de pensar e analisar a sociedade já consolidadas, sendo assim difíceis de passarem por modificações. Assim, é possível observar a ideia de que os idosos não precisam necessariamente estar integrados socialmente como uma dessas estruturas ocultas, o que acaba afastando esses indivíduos de uma integração plena na comunidade.

Ademais, é relevante apontar que os indivíduos de idade mais avançada passam por maior dificuldade para conseguir ingressar no mercado de trabalho. No livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, as pessoas são programadas para apresentarem aparência e saúde de jovens mesmo quando idosos. Fora da ficção, onde todos estes artifícios para evitar completamente o envelhecimento não existem, é possível perceber que os idosos sofrem justamente devido às limitações físicas e estéticas pelas quais passam no que diz respeito a conquista de uma vaga de emprego. Isso é refletido, por exemplo, no fechamento de mais de 37 mil postos para pessoas acima de 50 anos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas para que o aumento da expectativa de vida no Brasil seja bem recebida socialmente. Dessa forma o Ministério da Educação, em conjunto com escolas públicas e privadas, deve promover programas que visem a troca de experiência entre crianças e idosos, para que esse contato entre gerações gere uma visão positiva e inclusiva diante dos indivíduos de idade avançada. Além disso o Ministério do Trabalho deve fiscalizar, por meio de visitas periódicas de fiscais do órgão, se as empresas públicas e privadas estão seguindo corretamente as proposições do Estatuto do Idoso, as quais impedem que um limite de idade seja fixado no momento da contratação e preveem a realização programas para inclusão do idoso no mercado de trabalho, a fim de garantir que estes indivíduos consigam ingressar no ramo ocupacional de forma efetiva.