Aumento da taxa de criminalidade entre os jovens brasileiros

Enviada em 12/09/2019

No célebre romance “Capitães da Areia”, do escritor Jorge Amado, é retratada a instigante história de um grupo de crianças que, desprovidas de amparo social, lutam e roubam para sobreviver na cidade de Salvador. Não obstante, para além da ficção, tal literatura torna-se nítida na medida em que se visualiza o panorama de aumento da criminalidade entre os jovens, uma das faces mais desfavoráveis no desenvolvimento de uma sociedade, o que se deve a fatores como a inadimplência das políticas sociais e a fragilidade das estruturas familiares.

É importante considerar, de início, a falta de iniciativas públicas como campo fértil para a debilidade dos jovens. A esse respeito, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, o ser humano possui direitos tão somente impressos, visto que não são usufruídos na realidade. De maneira análoga, a escassez de estruturas governamentais, principalmente em regiões mais carentes, na materialização de direitos invioláveis, como o acesso a sistemas culturais e educacionais, refletem diretamente em um tecido social que inviabiliza a expressividade de oportunidades a muitos adolescentes, o que, de fato, potencializa a incidência desses à criminalidade. Assim, é incabível que a fragilidade de direitos inerentes à população catalise um contexto de vulnerabilidade dos jovens ao contexto criminoso.                 Outrossim, é factível que a falta de infraestrutura das famílias é igualmente fator do aumento da criminalidade entre essa faixa etária. Nesse sentido, de acordo com a sociologia durkheimiana, o indivíduo é determinado pelo meio em que vive. Sob esse prisma, o adolescente, ao estar inserido em um tecido familiar caracterizado, muitas vezes, por pouco apreço às relações afetivas, acaba, por vezes, absorvendo valores e ideias que dão margem a práticas ilícitas, tendo em vista a permissividade e irresponsabilidade dos pais na transparência de valores éticos e morais. Dessa maneira, é impreterível o papel da família no combate à diminuição e prevenção da criminalidade no tecido social.

É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate desse cenário problemático Assim, cabe a gestão Federal juntamente com as Secretarias Municipais priorizarem a recuperação de ambientes efetivos na prevenção de panoramas criminosos. Isso pode ser concretizado por meio de iniciativas públicas e privados, para que a partir de projetos educativos, como espaços poliesportivos e culturais, vinculados a profissionais pedagogos e famílias, possa estabelecer um suporte mais sólido no desenvolvimento e oportunidades aos adolescentes. Com efeito, poder-se-á, gradativamente, visualizar uma sociedade mais desenvolvida, longe de associações a obras literárias que demostram realidades perversas de grupos que serão o futuro do país.