Aumento da taxa de criminalidade entre os jovens brasileiros
Enviada em 15/05/2020
Embora a quantidade de crimes seja historicamente alta no Brasil, o aumento do número de infratores crianças e adolescentes é cada vez maior no país. Nesse contexto, destaca-se que, segundo a organização Observatório de Favelas, no Rio de Janeiro, o percentual de pessoas que entraram para o tráfico com a idade entre 10 e 12 anos passou de 6,5%, em 2006, para 13%, em 2017. Diante disso, denota-se que o fenômeno põe em risco o futuro desse grupo e a segurança nacional, o que evidencia a urgência por medidas capazes de contornar o cenário de criminalidade entre os jovens da nação.
Inicialmente, é importante destacar o papel educacional no desenvolvimento psico-social do indivíduo, sendo ela determinante na definição de seu futuro. No tocante a isso, segundo o educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Consonante a essa ideia, entende-se que, à medida que as taxas de escolaridade aumentam e são formados cidadãos capacitados intelectualmente, mais facilmente eles irão se inserir no meio acadêmico universitário e/ou no mercado de trabalho. Logo, evitar-se-á que optem pela criminalidade como fonte de sustento. Prova disso é que, segundo pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), para cada investimento de 1% em educação, 0,1% do índice de criminalidade é reduzido.
Ademais, é válido destacar que não apenas a escola deve se posicionar perante a problemática da criminalidade entre os jovens. Nessa lógica, ressalta-se que, segundo o pensador Mario Sergio Cortella, a escolarização é uma parte da educação, mas a sua efetivação é responsabilidade da família. Isto é, embora seja importante que o indivíduo tenha sua formação escolar garantida pelo Estado, a fim de que seja viabilizada a concorrência entre iguais no mercado de trabalho, a concretização disso depende dos familiares. Isso porque o recinto familiar em que se está inserido influencia o comportamento individual, estimulando ou não comportamentos que fogem à legalidade e à moralidade.
Portanto, evidencia-se a premência de medidas capazes de diminuir a prática de crimes pela população infanto-juvenil brasileira. Para isso, é preciso que o governo fortifique a atuação das escolas e dos centros socioeducativos, com a ampliação de verbas destinadas ao setor, para que os estudantes tenham melhores perspectivas de vida e não se sintam motivados a infringirem as leis em busca de sucesso pessoal. Além disso, é dever da família, base essencial no processo de formação do indivíduo, garantir a transmissão de valores e princípios éticos e morais aos seus membros, por meio de diálogos didáticos entre pais e filhos e do cultivo de hábitos educativos no cotidiano familiar, de modo que se entenda a importância do respeito às normas e saiba-se mensurar os impactos dos atos individuais no meio social. Dessarte, poder-se-á diminuir os índices de criminalidade entre os jovens no Brasil.