Aumento da taxa de criminalidade entre os jovens brasileiros
Enviada em 24/07/2021
O livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, escrito ainda na primeira metade do século XX, retrata o cotidiano de um grupo de meninos que, devido ao desamparo estatal, crescem em meio à marginalização nas ruas de Salvador e, por consequência, recorrem à criminalidade como forma de sobrevivência. Apesar do hiato temporal, nota-se que, assim como no romance regionalista de 30, muitas são as pessoas que vivenciam essa realidade cruel contada no livro. A partir desse contexto, é fundamental entender o que motiva o aumento da criminalidade entre os jovens no Brasil.
Percebe-se, de início, que a intensificação de práticas criminosas entre os jovens brasileiros é um reflexo do processo ao qual o Brasil foi exposto desde 1500. Com base nisso, é evidente que, assim como estudado pelo historiador Darcy Ribeiro, para quem “o Brasil não é, por natureza, desigual, mas foi sendo construído a partir da desigualdade”, a diferença entre quem tem, ou não, acesso aos direitos já estabelecidos na Constituição Federal configura um cenário caótico, o qual é potencializado pela negligência governamental com as pessoas, especialmente jovens, que, ao se reconhecerem como vítimas do abismo social vigente no país, buscam na criminalidade o amparo negado pelo Estado. Tal questão é tão grave que vem sendo discutida até em obras cinematográficas, como o filme “Cidade de Deus”, o qual mostra a vida de Buscapé, que, ainda na infância, iniciou suas práticas criminosas. Entretanto, observa-se que essa problemática perpassa o cenário ficcional e se faz presente, de maneira ainda mais séria, no cotidiano de muitos jovens brasileiros.
Além disso, nota-se que o crescimento da criminalidade entre os jovens está diretamente relacionado a um processo educacional falho. Isso acontece porque, devido à busca pela manutenção do subdesenvolvimento do país, uma minoria detentora de poder, procura, a partir de seus interesses, manipular a sociedadade a partir da continuidade de uma educação defasada que não inclui e nem atrai os jovens, que, por sua vez, encontram na criminalidade uma forma simples e acessível de ascender economicamente. Prova disso é que, mesmo sendo a 12ª maior economia global, de acordo com o FMI, o Brasil é, segundo a OMS, o 9º país mais violento do mundo, com ênfase na violência criminosa exercida por jovens em idade escolar. Dessa forma, fica evidente que num país de claros déficits educacionais, não é mero acaso a alta incidência de práticas criminosas entre os jovens.
Portanto, infere-se que o aumento da criminalidade entre os jovens deve ser combatido no Brasil. Para isso, o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, deverá investir em cursos, com a destinação de mais verba, que visem uma educação mais atrativa e inclusiva para os jovens. Tal iniciativa será feita por meio de um Projeto Nacional de Combate à Criminalidade Juvenil