Aumento da taxa de criminalidade entre os jovens brasileiros

Enviada em 28/06/2021

Nas sociedades clássicas, era dever da família orientar a criação dos jovens e desenvolver suas aptidões para a vida adulta. No contexto contemporâneo, a Sociologia afirma que a socialização das crianças sofre influências secundárias da escola e do Estado, além da responsabilidade primária familiar. Dessa maneira, o aumento da taxa de criminalidade entre jovens está intimamente ligado ao desenvolvimento da capacidade crítica dos adolescentes na atualidade. Por essa razão, torna-se imperioso o debate acerca das causas e consequências do aumento da participação de menores de idade em crimes.

Em primeira análise, é fundamental apontar a ausência de medidas governamentais na amenização da problemática. Nessa perspectiva, o educador Paulo Freire defende a escola como principal agente regulador dos jovens, uma vez que ela promove a inserção dos adolescentes no mercado de trabalho formal, além de possibilitar a formação da capacidade crítica. Desse modo, a fragilidade do ensino brasileiro reflete nos índices de criminalidade, o que, de acordo com o contratualista John Locke, configura-se como uma violação do Contrato Social, uma vez que o Estado não prioriza a educação dos jovens, que é um direito indispensável. Esse fato se comprova nas pesquisas da Folha de São Paulo de 2015, que reportam que estados com menos investimentos em educação possuem maiores índices de criminalidade.

Em segunda análise, é necessário discutir a influência da família na criação de menores e suas consequências. A série “Elite”, produzida pela Netflix, retrata a vida de um grupo de adolescentes da elite espanhola em um colégio privado. Na trama, diversos escândalos dos jovens no envolvimento de crimes têm como razão a criação dos pais, como o personagem Omar, que entra no tráfico de drogas iludido pela possibilidade de ascensão econômica. Não distante da ficção, os jovens brasileiros se envolvem na ilegalidade pela negligência familiar, visando soluções rápidas para a resolução de seus problemas, e, assim como na série, as consequências são desastrosas para o futuro do menor.

Portanto, faz-se necessária a participação do Estado para conter o aumento da criminalidade entre jovens. Para tanto, é dever do Ministério da Educação promover medidas socioeducativas que priorizem o atendimento especializados de menores em escolas. Essa ação deverá ser efetivada pelas secretarias municipais, de forma que psicólogos realizem palestras semanais de apoio aos jovens em situação de risco. Ademais, o projeto deve ser divulgado pela mídia para que as famílias entendam seu papel na criação dos filhos. Assim, a educação formadora de cidadãos conscientes de Paulo Freire será uma realidade e a criminalidade entre jovens será apenas parte do passado brasileiro.