Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil
Enviada em 08/10/2019
Primeira mulher na Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz retratou em sua obra “O quinze” a dificuldade enfrentada por famílias no cenário nordestino, citando a luta pela sobrevivência e a criação dos filhos. De tal forma, no que tange ao cuidado parental, dificuldades relacionadas à morte de sua prole antes do primeiro ano de vida já assolavam um significativo número de famílias, e com a presença de seu aumento, emergiram novamente como problemas de saúde pública. Logo, cabe analisar os preocupantes motivos e os embates que circundam o crescimento do número de indivíduos vítimas da mortalidade infantil no território brasileiro.
Sob esse viés, vale destacar que, segundo o Ministério da Saúde, o ano de 2016 apresentou um aumento de 4,8% na taxa de crianças que morreram antes de completar um ano de vida, dado esse produto de uma junção de fatores. Desse modo, as péssimas condições do Sistema Único de Saúde e cortes no seu percentual de investimento corroboram para um menor assistencialismo e acompanhamento médico, tendo como resultado o abandono governamental com gestantes. Além disso, a falta de saneamento básico, que assola comunidades pobres e marginalizadas, expõe o recém-nascido à patologias que poderiam ser facilmente erradicadas, como a diarréia.
Outrossim, atos falhos presentes no pré e pós-natal auxiliam no infeliz crescimento do número de mortes de recém-nascidos. Por um lado, de acordo com o Índice Firjam de desenvolvimento municipal, um terço das mulheres gestantes não realizou mais de 7 consultas antes do parto, o que auxilia no desconhecimento de doenças e de problemas com o indivíduo que poderiam ser facilmente resolvidos com o acompanhamento correto. Por outro lado, após o nascimento, a influência do movimento anti-vacina nas decisões de pais auxilia na triste exposição à enfermidades fatais sem a devida proteção.
Em suma, a mortalidade infantil teve seu aumento exponencial causado por diversos fatores que poderiam ser controlados e diminuídos desde que mudanças fossem estabelecidas. Desse modo, urge que o Ministério de Saúde construa, dentro do SUS, uma subdivisão responsável pela garantia de assistência pré-natal em todos os postos do território brasileiro, além de oferecer todas as informações necessárias para uma boa gestação em panfletos entregues no centro urbano e rural. Não obstante, o orgão deve realizar tal iniciativa com o intuito de não só frear mas também diminuir exponencialmente a taxa de mortos no nascimento, a partir da potencialização e de maior valorização de programas capacitadores de médicos relacionados ao assunto, para que o Brasil possa cumprir com maior primor a redução da mortalidade infantil, um dos objetivos do milênio da Organização das Nações Unidas.