Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil

Enviada em 28/07/2020

Agulhas e navios

Uma sociedade como a nossa, com tecnologias de ponta e acesso contínuo a diversas informações importantes, pode passar a falsa ideia de integralidade do sistema de saúde, quando, na verdade, é preciso percorrer uma longa distância no tangente à resolução do aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil. O pensamento anticientificista que ganhou força nos últimos anos somado a falta de universalidade no atendimento médico eficiente são alguns dos fatores que explicam a evolução deste triste índice.

Muito lembrada nos livros de história, a revolta da vacina de 1904 foi uma manifestação popular contra a campanha de vacinação obrigatória estabelecida pelo governo do Rio de Janeiro. Sem entender muito bem o conceito desse tipo de imunização e com informações falsas divulgadas pela mídia, o povo se mostrou contrário a medida. Atualmente, esse mesmo desconhecimento e incredibilidade na ciência voltam a representar um perigo para o desenvolvimento infantil: muitos progenitores nutrem um pensamento de caráter anti-iluminista, ou seja, pouco racional, privando as crianças de cuidados básicos e que colocam todos em perigo. A volta de doenças erradicadas ou pouco comuns, como a pólio e o sarampo, desencadeada por esse processo é prova de que essa mentalidade coloca em risco qualquer jovem, o que acaba ocasionando aumento no índice de mortalidade infantil.

Além disso, em um país de grandes proporções como o Brasil não é surpresa que o acesso a serviços de saúde sejam dificultados em determinadas regiões. Dessa forma, muitas mulheres grávidas não têm as condições ideais para realização de exames importantes, como o pré-natal. Também, mesmo que passem pelo parto de forma pouco conturbada, a sua localização geográfica ainda as priva de oferecer os cuidados essenciais aos seus filhos que, o que pode levar à morte. Uma reportagem exibida no programa “Caldeirão”, da rede Globo, esclarecia um trabalho importantíssimo da marinha brasileira. Com embarcações-hospital, uma equipe de marinheiros faz rondas em áreas ribeirinhas do estado do Amazonas e, em uma dessas visitas, cruzou com uma mãe de cinco filhos e grávida. Quando questionada sobre o exame ultrassom, foi categórica: nunca havia feito.

Dessa maneira, é evidente que o aumento na taxa de mortalidade infantil brasileira é resultado de dois fatores: pensamentos contrários a ciência e a inacessibilidade de serviços de saúde. Cabe ao Estado, portanto, promover campanhas midiáticas de elucidação de conceitos médico-científicos, no intuito de amenizar os temores dos pais, além de aumentar gastos públicos em saúde nas áreas mais distantes para que, então, o índice abordado entre em queda permanente.