Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil

Enviada em 18/08/2020

Ao longo do século XX, sobretudo a partir da década de 1950, o Brasil passou por um intenso processo de urbanização, com investimentos na infraestrutura, em saneamento básico e na saúde que proporcionaram melhorias na qualidade de vida do cidadão brasileiro e, consequentemente, reduziram a taxa de mortalidade infantil no país. Entretanto, contrariando a queda progressiva na proporção de mortes de infantes no Brasil, no ano de 2016, essa taxa apresentou um aumento. Tal acréscimo está relacionado à desigualdade regional no acesso à saúde e à crise econômica que assola o país desde 2014.

Primeiramente, é notória as disparidades entres as diferentes localidades do Brasil quanto ao acesso ao sistema de saúde, o que reflete nas taxas de mortalidade infantil. Assim, investimentos no setor tendem a se concentrar em regiões com grande importância econômica, enquanto em locais isolados, como o sertão nordestino e demais regiões rurais, observa-se uma maior dificuldade para os atendimentos na saúde devido à ausência de postos, maternidades e médicos para o acompanhamento da gravidez e para o atendimento da população em geral. Assim, em tais lugares, os riscos ligados ao parto, bem como a morte de crianças de forma precoce, são mais frequentes.

Outrossim, é importante apontar a relação entre o aumento na mortalidade infantil e a situação econômica do país. Durante a década de 1970, com as perdas no valor do salário mínimo durante a ditadura militar, foi realizado um estudo pelo médico sanitarista Walter Leser mostrando que o aumento na mortalidade infantil se associava à condição econômica da população e aos benefícios providos pelo governo. De forma análoga, com a crise econômica de 2014, com a austeridade fiscal e menos recursos para programas sociais, a população ficou mais vulnerável. Com isso, os atendimentos na área infantil ficaram prejudicados, colaborando para o aumento na proporção de mortes.

Portanto, percebe-se que o quadro só será revertido novamente caso houver uma interferência por parte do governo. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde a adoção de medidas alternativas, como a expansão de postos de saúde em regiões afastadas da cidade e a ampliação da medicina itinerante, por meio do investimento do Governo Federal, com o objetivo de prestar um atendimento mais igualitário aos infantes e assistência às mães e, assim, evitar o progresso de enfermidades e desnutrição que podem levar ao óbito. Além disso, o Governo Federal também deve investir em programas de auxílio financeiro a famílias carentes, com o objetivo de diminuir a miséria e contribuir para a diminuição da morte de crianças. Desse modo, será possível proporcionar a queda da taxa de mortalidade infantil, bem como um acesso mais igualitário à saúde.