Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Na obra Pré-Modernista “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. No entanto, ao observar o aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil, percebe-se que esses obstáculos ainda não foram superados, já que a passividade do Estado e a crise no capitalismo potencializam esse entrave.

Sob esse viés, deve-se ressaltar a omissão do governo com medidas suficientementes efetivas para combater a mortalidade infantil na hodiernidade. Nesse sentido, é notória a carência estrutural em pré-natais, uma vez que o governo não disponibiliza assistência adequada à gestantes, como pediatras, leitos neonatais e vacinas, sendo esses precursores da saúde. Subsequente à isso, a ausência dos mesmos ocasiona desespero para essas pessoas. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Lock, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde e qualidade de vida, o que é evidente no país.

Ademais, é fundamental pontuar a crise do capitalismo como impulsionador da consolidação no aumento da taxa de mortes infantis no país. Segundo dados do Ministério da saúde, o número de mortes de crianças com até 5 anos de idade cresceu 5% nos últimos 20 anos, evidenciados, principalmente, nos estados do Norte e Nordeste. Diante de tal exposto, é indubitável a ausência de estruturas sanitárias e má distribuição de renda para alimentação de crianças com maior vulnerabilidade, bem como a escassez de cursos para qualificação de um maior número de profissionais voltados para a área pediatrica e assistência à famílias, por exemplo. Logo, é grave a perduração desse cenário.

Diante dos argumentos supracitados, é importante salientar a necessidade de combater o aumento gradativo na taxa de mortalidade infantil no Brasil. Para isso, é imprescindível que o governo, por meio de verbas obsoletas de divergentes âmbitos, invista em infraestrutura de pré-natais como a qualificação de profissionais e a compra de leitos capazes de suprir a necessidade advinda das gestantes e crianças. Além disso, aprimorar a distribuição de renda para os estados com maior número de mortes infantis, objetivando, assim, uma redução exponencial na taxa de óbitos e uma melhor qualidade de vida para esses cidadãos. Assim, tornar-se-á possível o Brasil alcançar o patamar de nação desenvolvida, como propôs o Major Quaresma.