Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 10/05/2023

A Síndrome de Burnout é um estado neurodivergente de estresse e cansaço associado à sobrecarga de trabalho. Durante a pandemia de COVID-19 e posteriormente, esse quadro patológico se mostrou mais presente, devido ao uso intenso de trabalho remoto, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Essa alta fadiga está relacionada à intensificação da exploração laboral facilitada pela modalidade cada vez mais em uso, de modo a causar danos psicológicos e emocionais nos indivíduos.

Acerca disso, é fundamental salientar que no capitalismo existe profunda relação entre o lucro e a extorsão dos trabalhadores. Tal fato foi exposto por Karl Marx em O Capital, que explicita uma das formas de abuso dos indivíduos: a mais-valia relativa, caracterizada pela expansão do expediente sem o aumento salarial. Nesse sentido, devido ao amálgama entre vida privada e emprego proporcionado pelo trabalho remoto, há o crescimento velado da jornada de trabalho e, consequentemente, das suas cobranças, o que acarreta benefício monetário ao empresário, mas imprime um ritmo laborativo inumano aos funcionários.

Ademais, sob as circunstâncias dessa lógica predatória, o que devia ser uma ação com finalidade de subsistência transforma-se em uma inimiga dela, ocasionando diversos problemas neuropsicológicos. Com o domínio da ocupação sobre a vida, o lazer e outros compromissos comuns, como se exercitar ou passar tempo com a família, são progressivamente suprimidos — fatores essenciais para à homeostase mental, de acordo com o Conselho Federal de Psicologia. Assim, é indispensável repensar sobre as condições de trabalho atuais desse genêro, para impossibilitar que eventos dessa ordem aconteçam na vida dos brasileiros.

Diante dos fatos, fica evidente a causa do aumento dos casos de Burnout no trabalho remoto no Brasil. Logo, caberá ao Ministério do Trabalho providenciar mecanismos que protejam os brasileiros inseridos nessa modalidade. Isso pode ser feito a partir da criação de uma ouvidoria anônima de denúncias, que agirá para averiguar e punir as empresas que cometam as práticas exploratórias citadas, como pressão psicológica, em sentido de proporcionar qualidade de vida aos cidadãos. Atitudes assim contribuirão à nação.