Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil
Enviada em 20/06/2023
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se ausenta de qualquer problema. No entanto, observa-se na realidade contemporânea o oposto ao que o autor prega, tendo em vista que o número de casos de Burnout, no âmbiente de trabalho re- moto, vem aumentando na sociedade brasileira. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de atuação estatal quanto da escassez de senso crítico por parte da população.
Principuamente, é fulcral pontuar a falta de atuação dos setores governamentais no que concer- ne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Sob tal perspectiva, segundo Lilia Schw- arcz, a nação tupiniquim exerce uma “política de eufemismo”, ou seja, uma postura de suavização dos problemas. Um exemplo de tal postura eufemista pode ser percebido ao analisar a posição do Brasil no ranking mundial de casos de Burnout que, conforme a International Stress Management Association (ISMA), estava em segundo lugar - que agravou-se durante a pandemia de Covid-19 de- vido ao trabalho “home office” - e, paradoxalmente, a problematização mínima do tema por parte dos orgãos públicos, gerando a postura de suavização mencionada. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, é imperioso ressaltar a escassez de senso crítico da população como promotora do problema. Nesse sentido, segundo Byoung-Chul Han, em “Sociedade do Cansaço”, a falta de auto- crítica no tocante aos limites físicos e mentais tornam o indivíduo doente. Partindo desse pres-suposto, apesar de possuirem amplo conhecimento sobre o corpo humano, os médicos, por exem- plo, são muito afetados pelo dísturbio em voga, o que demostra que a complexidade do problema ultrapassa o campo informacional, podendo ser vista como uma falta de controle sobre a própria rotina. Logo, tudo isso tende a agravar-se no ambiente de trabalho remoto já que tal ambiente, em partes, contribui com esse quadro deletério devido ao isolamento do indíviduo.
Portanto, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Saúde, investir em mecanismos de mapeamento da Síndrome de Burnout, tais como levantamento de dados e demais mecanismos de pesquisa, a fim de diagnosticar, sem “eufemismos”, as reais necessidades para conter a chaga. Outrossim, por meio de emendas constitucionais, cabe ao governo inserir a obrigatoriedade de profissionais especializados na síndrome discutida em todos os postos de trabalho, principalmente os virtuais devido às altas demandas, com o intuito de ajudar na elaboração de rotinas, prezando pela vida equilibrada. Somente assim, poder-se-á atenuar em médio e longo prazo os impactos nocivos do Burnout no país e o ambiente de trabalho remoto alcançará a “Utopia” de More.