Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 19/06/2023

Segundo o artigo 196 da Constituição federal de 1988, a saúde é um direito de todos que deve ser assegurado pelo Estado. Contudo, tal máxima não se reverbera na sociedade brasileira, uma vez que a síndrome de Burnout cresce no espaço remoto laboral e danifica os trabalhadores tanto no aspecto físico quanto no mental. Essa situação é fomentada por meio do imediatismo capitalista e do novo formato de trabalho.

Sob tal ótica, a extrema necessidade de produção dificulta a redução desse transtorno. De acordo com Karl Marx, sociólogo alemão, a desvalorização do mundo humano aumenta com a valorização do universo das coisas. Nesse viés, pode-se dizer que a busca pela eficiência instantânea tende a sobrecarregar o indivíduo, que, por sua vez, negligencia seu estado emocional e psicológico em detrimento da exigente demanda funcional. Assim, é notória a representação do pensamento de Marx, vide a minimização da saúde em prol do meio trabalhista, o que, na maior parte dos casos, impulsiona essa enfermidade sindrômica.

Ademais, a dinâmica do trabalho à distância também é um óbice para a prevenção da doença supracitada. Segundo David Hume, filósofo escocês, as pessoas são constituídas por uma multiplicidade de hábitos que faz a trama de seu viver. Nesse sentido, esse novo formato do ambiente empregatício altera a rotina dos funcionários, na medida em que dificulta a delimitação do tempo e do lugar destinados à atividade corporativa. Logo, tal cenário cria um quadro de estresse devido à separação do indivíduo dos seus hábitos cotidianos, o que eleva as chances de esgotamento causado pelo campo profissional.

Portanto, medidas são urgentes para a mudança desse paradigma. Para isso, cabe às empresas, de todos os setores da economia, estimular os cuidados com a saúde mental por meio da instituição de programas de apoio psicológico para seus colaboradores, com o fito de garantir que o exercício da função não os prejudique. Além disso, é dever do Ministério do Trabalho realizar ações de fiscalização para verificar as condições do emprego remoto. Dessarte, essas medidas representarão o caminho que começará a ser trilhado no combate a síndrome de Burnout e determinarão a transformação do texto constitucional em realidade prática.