Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 12/09/2023

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa Simone de Beauvoir, pode facilmente ser aplicada ao aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil, já́ que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da popula-ção se habituar a essa realidade. Dessa forma, agravam o quadro central não só a dificuldade em estabelecer limites, como também à negligência com a saúde mental pelas empresas.

Nesse sentido, é notório afirmar que a dificuldade em estabelecer limites no tra-balho remoto potencializa o efeito da Síndrome de Burnout na sociedade. Isso ocorre porque nunca foi tão difícil separar a vida pessoal da profissional, visto que, quando o trabalho invade o espaço doméstico, alguns rituais se perdem, como a hora do almoço, a pausa para o café e, principalmente, a hora de encerrar o expe-diente. Dessa forma, jornadas tendem a ficar mais extensas, e as pausas de des-canso deixam de ser realizadas, gerando maior cansaço, afirma a psicóloga Luciene Bandeira, diretora de saúde mental da Conexa.

Além disso, a omissão por parte das empresas em relação à saúde mental dos funcionários cristaliza ainda mais essa conjuntura. Isso ocorre porque, de acordo com estudo da Isma-BR (representante da International Stress Management Asso-ciation), apenas 18% das empresas investem em programas para cuidar da psique de seus colaboradores. Desse modo, a falta de programas de apoio nas empresas pode deixar os funcionários sem recursos para lidar com o estresse e os desafios emocionais, dificultando ainda mais a busca por ajuda quando necessário.

Portanto, diante da situação exposta, o governo federal em parceria com o Minis-tério do Trabalho deve lançar o programa “Trabalho e Bem-Estar”, por meio da criação de regras a serem seguidas por todas as corporações em relação ao traba-lho remoto. Impelindo as empresas a adotarem horários fixos e garantir a desco-nexão dos funcionários que estão fora do expediente. Ademais, precisa impelir que todas as empresas tenham um departamento que cuide da saúde mental, levando informação e ajuda necessária para todos que precisarem. Assim, impor limites entre a vida pessoal e a privada e a garantir o adequado cuidado.