Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil
Enviada em 11/09/2023
Na obra “A República”, o filósofo Platão idealiza uma cidade livre de desordens, em que os cidadãos trabalham em conjunto para superar os obstáculos. Todavia, ao se fitar a atual realidade brasileira, percebe-se o oposto dos ideais platônicos, uma vez que o aumento da Síndrome de Bournout no trabalho remoto representa um empecilho para a ordem social. Sendo assim, tem-se a omissão estatal e a negligência dos empregadores como desafios no combate desse problema.
Sob esse viés, vale ressaltar a frágil atuação governamental na resolução dessa problemática. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Tomás de Aquino, todos têm os mesmos direitos e deveres garantidos pelo Estado. Contudo, a prática é distinta da teoria, já que a atual Reforma Trabalhista extinguiu o controle de jornada dos trabalhadores remotos, que era feito por uma série de dispositivos e sistemas de controle de ponto. Com isso, já que não é feito a contabilidade de horas trabalhadas, nem o acerto de horas extras, abre-se precedentes para a exploração do empregado e consequentemente, para o seu esgotamento mental.
Ademais, outro vetor recai sobre a inobservância dos empregadores. Nesse contexto, conforme o filósofo Byung-Chul Han, em “Sociedade do Cansaço”, o principal fator para o crescimento da incidência de algumas doenças, como a Síndrome de Bournout, é a exigência do excesso de produtividade. Desse modo, nota-se que a alta competitividade instigada pelas empregas, bem como um salário não condizente ao cargo são motivos dos crescentes casos dessa síndrome, e isso se origina na ausência de ações práticas dos empresários, que são os responsáveis por garantir um ambiente salubre e justo para os seus funcionários.
Depreende-se, portanto, que o Ministério do Trabalho, órgão responsável pelas políticas de apoio ao trabalhador brasileiro, deve agir em busca da garantia prática dos direitos do trabalhador remoto, por meio de mudanças nas leis trabalhistas que controlem uma quantidade exata de horas trabalhadas e corretamente remuneradas, a fim de que seja mantida a saúde mental dos funcionários e diminua os casos de Síndrome de Bournout. Com essa ação, os brasileiros poderão chegar perto das convicções de Platão.