Aumento dos casos de síndrome de burnout no trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 20/01/2024

O filósofo sul-coreano Byung-chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, destaca a transição da sociedade repressora e disciplinar do século XX para uma forma coercitiva emergente: a violência neuronal. Nesse contexto, as pessoas têm se autoexplorado em busca de mais resultados, tornando-se opressoras de suas próprias ações. Essa cultura de trabalho desmedido e autoexploração tem acarretado um aumento significativo de doenças que impactam a saúde mental, exemplificada pela síndrome de Burnout.

Em primeiro lugar, é crucial compreender que a pandemia impulsionou o crescimento do trabalho remoto devido às restrições de circulação. Apesar da inicial expectativa positiva associada ao trabalho em casa, a prática revelou-se desafiadora em muitos casos. A expansão da relação de trabalho para todas as horas do dia tornou-se uma realidade comum. Em outras palavras, os indivíduos passaram a estar quase permanentemente conectados às redes em função do trabalho. Isso, somado à cultura de trabalho desmedido, resultou não apenas em esgotamento físico, mas também mental.

Cabe ressaltar que a pandemia, por si só, não é a causa direta do aumento da síndrome de burnout, e é importante entender que o trabalho desmedido muitas vezes é uma escolha voluntária. Isso reforça a teoria de que as pessoas estão se autoexplorando, acreditando erroneamente que estão alcançando a realização pessoal. Uma das origens desse fenômeno está ligada a palestras de “coaches” motivacionais, que promovem uma visão distorcida sobre como obter sucesso na vida, contribuindo para a disseminação da ideia do “eu posso”. Como resultado, a sociedade testemunha indivíduos trabalhando por mais de 12 horas diárias, chegando, em casos extremos, a jornadas exorbitantes de até 48 horas.

Portanto, é essencial implementar programas de conscientização nas empresas sobre limites no trabalho remoto e promover treinamentos para líderes, enfatizando a importância do equilíbrio e respeito aos horários laborais. Ao construir uma cultura organizacional que priorize o bem-estar mental, podemos transformar positivamente a dinâmica de trabalho, criando ambientes mais saudáveis e sustentáveis para todos.