Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/01/2026

No filme “Efeitos Colaterais”, evidencia-se como o uso inadequado de medicamentos pode gerar consequências imprevisíveis e perigosas à saúde. Fora da ficção, lamentavelmente, essa problemática se intensifica no século XXI, período marcado pela automedicação frequente e pela crença de que remédios são soluções imediatas para qualquer mal-estar. Nesse cenário, o uso indiscriminado de fármacos sem orientação profissional configura um grave problema de saúde pública, impulsionado não só pela desinformação e influência de influenciadores digitais, mas também pelo modo de produção capitalista vigente.

Sob tal ótica, é lícito postular que a desinformação é um fator que contribui com a propagação da automedicação. Nesse contexto, com o avanço da internet e das redes sociais, muitos indivíduos passam a confiar em dicas compartilhadas por influenciadores digitais ou em experiências pessoais divulgadas online, ignorando a necessidade de avaliação médica. Sobretudo, pode-se destacar casos de mortes associadas ao uso de canetas emagrecedoras, conhecida como Manjaro, sem acompanhamento médico, noticiado pelo canal de notícias SBT News. Dessa forma, é evidente que a falta de educação em saúde contribui diretamente para a banalização dessa prática.

Outrossim, vale ressaltar que a pressão social e cultural em torno da ideia de “não parar por causa de dor ou doença” é outro fator que intensifica a problemática. Sobretudo, essa realidade pode ser associada á lógica capitalista analisada por Karl Marx, segundo o qual o trabalhador é visto como peça produtiva que deve atender às exigências do mercado, garantindo assim, a produtividade imediata, em detrimento da própria saúde. Somado a isso, a facilidade de acesso a medicamentos sem prescrição médica intensifica a prática, sobretudo, segundo pesquisas do Data Folha, cerca de 90% dos brasileiros admitiram automedicar-se, indicando que esse hábito é cultural no país.

Portanto, para combater a automedicação no século XXI, cabe ao Governo Federal, instância máxima da administração executiva, combater a desinformação na área da saúde, por meio de campanhas publicitárias, com o fito de desestimular tal prática. Dessa forma, o país alcançará o almejado progresso.