Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/10/2019
Na série televisiva “House”, o personagem principal faz uso indiscriminado de remédios para controlar as dores em sua perna, esta prática acaba por trazer algumas implicações na vida dele e daqueles ao seu redor. Fora da ficção, a automedicação faz-se presente em diversas realidades e as têm modificado por não ser debatida. Dentre os reflexos de tal cenário é válido citar como a falta de informações confiáveis gerar enganos e o consumismo incentivar esse método.
Em primeira análise, está a disseminação de discursos falsos sobre como usar os fármacos. Tal conjuntura é recorrente, pois muitas pessoas, leigas em farmacologia, tomam a sua experiência pessoal como regra universal e começam a divulgá-la, o que pode ser nocivo. A exemplo disso, tem-se o caso do ácido acetilsalicílico(AAS) que é dito como antitérmico e analgésico para ser usado em qualquer situação, entretanto, o uso dele pode prejudicar a coagulação sanguínea e contribuir para a tendências a hemorragias em algumas doenças. Com isso, terceiros podem ser prejudicados, porque ao decidirem usarem determinados remédios baseando-se em casos particulares de conhecidos sem levar em consideração as particularidades do funcionamento do próprio corpo possivelmente infligirão em si malefícios em maior ou menor grau.
Ademais, outro agravante é o setor farmacêutico banalizar a automedicação em muitos casos, colocando os medicamentos em promoção ou em locais de fácil acesso para consumo, como supermercados. Essa situação ocorre, pois o mercado de remédios é uma das bases da indústria cultural, a qual segundo o teórico Adorno é um mecanismo que torna tudo em mercadoria antes mesmo de sua utilidade primária para poder gerar lucro. Por causa disso, é comum no cotidiano as pessoas comprarem mais fármacos do que necessitam, e acabarem consumindo doses extras ou disponibilizarem para outros. Consequentemente, a circulação desse produto eleva-se e as chances dele ser usado inadequadamente também, o que pode colocar a vida de terceiros em risco.
Em prol de mitigar o quadro supracitado, o Ministério da Saúde deve tornar o acesso aos medicamentos mais rigoroso. Para tal, o órgão público pode requerer uma mudança na forma de venda junto ao setor farmacêutico, limitando as compras de remédios em promoções pelo cadastro de clientes e seu comércio apenas em farmácias, mediante controle que será feito em conjunto com a fiscalização do comércio municipal. Caso essas medidas sejam desobedecidas pode recorrer a aplicação de multas e até cassação do alvará de funcionamento dos estabelecimentos. Dessa maneira, a automedicação será restringida por diminuir a quantidade de produtos circulantes e sua presença será só recorrente por meio de séries como “House”.