Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/09/2019

Na novela juvenil “Malhação”, a personagem Keyla compra remédios, sem prescrição médica, com o intuito de emagrecer, no entanto ele fornecia outros efeitos colaterais e o uso incorreto dessa substância resultou na internação hospitalar da personagem. De fato, casos como o da Keyla não se limitam a cenários fictícios e vão além de remédios para emagrecer. Nesse sentido, a automedicação é um tema pertinente ao contexto moderno. Fica notório que se faz necessário analisar as causas, consequências e possíveis soluções para essa conjuntura.

A priori, com o advento da Revolução Industrial e consolidação do capitalismo, o mundo passou a ser guiado pela lógica da agilidade, de modo que tudo deve ser resolvido da forma mais rápida possível. Nessa lógica, é válido afirmar que a saúde também está subordinada à esse panorama. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o mundo moderno é caracterizado pela liquidez, pois assim como a água, tudo muda de forma acelerarada. Logo, presume-se que a modernidade líquida faz com que os indivíduos prefiram resolver o problema de forma rápida do que ficarem saudável de fato e essa preferência resulta na automedicação enraizada na sociedade.

Ademais, o uso de remédios sem prescrição médica, pode resultar em consequências para a saúde do indivíduo e da comunidade. Dentre esse efeitos, conforme o médico Drauzio Varella, a automedicação pode resultar na dependência química do indivíduo e na necessidade de tomar doses casa vez maiores do remédio para conseguir os mesmos resultados iniciais, isso pode suceder na seleção dos causadores da doença mais resistentes aos métodos tradicionais de tratamento e como resultado disso, haverá uma nova espécie difícil de ser combatida. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas.

Torna-se evidente, portanto, que casos como o da Keyla não podem mais ser reflexo da sociedade. Assim, para que essa problemática acerca da modernidade líquida seja resolvida, é necessário que o  Ministério da Saúde, com ações dos Conselhos Regionais de Farmácia, dificulte o acesso das pessoas a qualquer remédio sem prescrição médica, por meio de uma conduta ética difundida entre os profissionais da área, a fim de persuadir os indivíduos a procurarem médicos e conseguirem um diagnóstico e tratamento adequado. Além disso, as universidades e escolas, precisam por intermédio de palestras, debater sobre a automedicação e as consequências dessa atitude. Enfim, a partir dessas ações, a previsão do Drauzio Varella terá mais dificuldade em ser concretizada.