Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/09/2019
A Era da Informação, como é conhecido o século XXI, provocou mudanças em diversas áreas, dentre as quais destaca-se a influência de certos tipos comportamentais. Na realidade contemporânea, muitos indivíduos se automedicam com base em sites de busca como o “Google”. No entanto, esse hábito pode acarretar consequências graves à saúde, bem como mascarar sintomas de uma doença. Diante disso, cabe analisar as causas dessa problemática objetivando superá-las.
Convém ressaltar, a princípio, que a ingestão de medicamentos sem acompanhamento profissional é fruto de um perfil cultural brasileiro. Consoante ao conceito de Ação Social proposto pelo sociólogo Max Weber, o indivíduo replica seus valores e costumes na sociedade mesmo que de maneira inconsciente. Seguindo essa linha de raciocínio, é comum que as famílias possuam “drogarias caseiras”,por exemplo, para que em caso de alguma enfermidade, haja uma forma de aliviar a dor do familiar. Contudo, em médio e longo prazo, essa ação pode agravar a situação do doente implicando na dificuldade de tratamento de uma doença que, se fosse diagnosticada de maneira precoce, não ofereceria riscos.
Outrossim, destaca-se a mídia como impulsionadora desse hábito patogênico. É muito comum que a indústria farmacêutica associe seus produtos à artistas, por meio de propagandas apelativas e persuasivas, visando massificar a venda de seus fármacos sem se preocupar com a saúde de outrem. Nesse viés, a pessoa é influenciada negativamente, pois tende a utilizar o medicamento sem auxílio médico, o que pode gerar frustração já que cada organismo reage de maneira diferente. Assim, é preciso que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) atue na questão.
Fica evidente, portanto, que a automedicação é um complexo desafio hodierno que deve ser superado. Para isso, é necessário que a família e o sistema educacional brasileiro proporcionem às crianças uma educação mais relacionada a questões analíticas para que, já na adolescência, seja capaz de discernir que, em caso de dor, deve procurar um profissional adequado, e também estar ciente de que as intenções da publicidade nem sempre são as melhores. Ademais, o CONAR - que busca impedir a veiculação de propagandas enganosas, porém permite o uso de persuasão- deve proporcionar uma análise ainda mais criteriosa dirigida à propagandas envolvendo fármacos. Dessa forma, será possível solucionar a problemática da automedicação na Era da Informação.