Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 06/09/2019

Legado da pós-modernidade

O sociólogo Émile Durkheim, em um de seus conceitos, afirma que o comportamento da sociedade se sobrepõem à vontade individual — conhecido como “fatos sociais”. De maneira análoga, a sociedade do século XXI desenvolveu práticas nocivas à saúde — a automedicação. Nesse sentido, o indivíduo é influenciado pelo meio que está inserido, no entanto, é imprescindível analisar o fator cultural e as consequências desse hábito.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, da cultura imediatista em que os indivíduos estão submersos. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito “Modernidade Líquida, defendendo que o ritmo acelerado da vida busca a praticidade — a qualquer custo. Desse modo, a qualidade de vida é colocada em xeque, na medida em que a sociedade pós-moderna é impactada diariamente com fatores de stress, ansiedade e doenças crônicas, que por conseguinte, escolhem o caminho mais rápido da automedicação. Assim, a cultura do imediatismo acarreta decisões tomadas sem grande reflexões, considerando apenas o momento e não as consequências à saúde.

Em detrimento a essa questão, segundo a pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade mostra que 79% das pessoas com mais de 16 anos se expõem aos riscos da automedicação no país. À vista disso, essa prática é considerada um problema de saúde pública, uma vez que o uso incorreto de medicamentos podem acarretar agravamento de doenças, além de silenciar determinados sintomas, diminuindo, assim o diagnóstico eficaz pelo médico. Diante dessa perspectiva, é indubitável os perigos da automedicação, haja vista que a intoxicação é um fator determinante no uso impróprio de remédios que pode levar ao óbito.

Impende, pois, que esse legado da automedicação seja repudiado na sociedade contemporânea. Logo, é imperativo que o Estado, como defensor do bem-estar social, na figura do Ministério da Saúde em parceria com a mídia desenvolvam propagandas elucidativas em que reeduque à sociedade ao perigo da automedicação e as consequências nocivos à saúde, desse modo desmistificando essa cultura social. Ademais, cabe a cada cidadão ficar atento a essa questão, de modo a priorizar a sua saúde, na medida em que busque a orientação médica necessária de acordo com cada sintoma. Assim, será possível mitigar esse legado da pós-modernidade e influenciar de forma benéfica a saúde de todos.