Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 16/09/2019

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso ocorreu a quebra de patentes de medicamentos, o que resultou no barateamento deles, com a chegada dos genéricos, e no aumento de seu consumo pela população. Diante disso, infere-se que tal prática foi ótima para gerar mais acesso à saúde às camadas mais carentes, contudo, também ocorreu o uso indiscriminado de automedicação, que pode acarretar riscos. Em virtude disso, é preciso analisar essa situação sob uma ótica comercial e social.

Mormente, analisa-se que a indústria farmacêutica é uma das mais poderosas no mercado e, por isso, é de interesse dela que a sociedade consuma cada vez mais medicamentos. Dessa maneira, há a presença de inúmeras propagandas de remédios, aparentemente inofensivos, mas que, se usado sem prescrição médica, podem gerar problemas de saúde,a exemplo do uso de complexos vitamínicos que, em excesso, causam hipervitaminoses, às quais podem ir desde pele seca à problemas neurológicos, de acordo com o Ministério da Saúde. Portanto, é de extrema importância que essa prática mercadológica, desrespeitosa ao ser humano, seja devidamente controlada pelos órgãos responsáveis.

Ademais, é relevante observar que o indivíduo, quando tem algum problema, tende a buscar rotas de fuga ao invés de enfrentá-lo, o que pode ser comprovado com a Segunda Geração do Romantismo, em que os escritores buscavam a evasão da melancolia e da angústia, seja por meio da poesia ou do ópio. Em consonância a isso, percebe-se que na contemporaneidade, as pessoas costumam usar medicamentos controlados para tal feito, tais como ansiolíticos, antidepressivos e calmantes, muitas vezes sem acompanhamento médico. Logo, fica claro que a automedicação é problemática também para a saúde mental, haja vista que a falta de controle de tais fármacos gera dependência.

Destarte, está evidente que a automedicação é prejudicial à saúde e, em face a isso, são necessárias medidas que diminuam o acesso da sociedade a fármacos, sem acompanhamento profissional. A princípio, é preciso que o Ministério da Saúde restrinja as propagandas de medicamentos que não precisam de receita, por meio da redução de seu tempo na televisão, além de impor que tais comerciais precisarão expor as contraindicações deles, com especificações, de forma clara, para que a população tenha consciência de seus riscos e diminua seu interesse em consumi-los, pois assim, será atenuado o uso indiscriminado. Outrossim, é preciso que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faça fiscalizações quinzenais em farmácias, com agentes da saúde das secretarias municipais, para detectar aquelas que vendem medicamentos controlados sem receita médica, já que assim, se abrandará a dependência da população a tais químicos, o que poderá induzi-la a procurar psiquiatras e psicólogos para ajudarem a lidar com seus problemas de forma saudável.