Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 30/09/2019

O documentário americano “Take your pills” mostra a realidade de pessoas que são dependentes de medicamentos estimulantes, tais como a ritalina e o “adderal”. Segundo o longa metragem, o consumo excessivo dessas substâncias é, em sua maioria, motivado pela necessidade da potencialização de aspectos físicos e mentais, os quais, maximizados, aumentam a produtividade dos consumidores. Todavia, a elevada automedicação é um problema que segue em debate no século XXI, visto que ela denota a existência de doenças emocionais e uma sociedade extremamente produtivista.

A princípio, a ocorrência de entraves psicológicos é um dos fatores que corroboram para o uso desregrado das drogas medicinais. Isso ocorre porque as pessoas vêem na ingestão dessas substâncias a possibilidade do esquecimento de seus problemas pessoais, dado que o efeito dos remédios é de prazer prolongado. Nesse sentido, Caio Fernando Abreu diz que é necessário ao homem descobrir maneiras - sejam elas quais forem - de se manter forte. Dessa forma, consoante à máxima expressa pelo escritor sulista, entende-se que o consumo de estimulantes, pelos indivíduos que possuem distúrbios neurológicos, é um meio que os auxilia no combate aos desfalques oriundos dos transtornos.

Além disso, o pensamento imediatista, voltado para a produção em larga escala, é também um agente decisivo no que se refere à ampla procura por energéticos químicos no campo farmacêutico. Sob essa ótica, Nicolau Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, diz que os meios são justificados pelos fins. Dado isso, em conformidade com a ideia proposta pelo filósofo moderno, nota-se a repetição da ética maquiavélica no comportamento de jovens e adultos que, a fim de otimizarem seu tempo e potencializarem seus resultados, optam pelo uso das pílulas alucinógenas. No entanto, como resultado da utilização demasiada dos medicamentos, tais indivíduos tornam-se dependentes desses, podendo, em alguns casos, sofrerem com a “Síndrome de Burnout”, causada, a priori, pelo esgotamento físico e mental.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para conter o avanço da problemática da automedicação. Para tanto, é necessário que os indivíduos que possuem alterações emocionais recorram à ajuda de um psicólogo que os encaminhe ao tratamento indicado para suas necessidades. Isso pode acontecer a partir da ampla divulgação de campanhas midiáticas, pelo Ministério da Saúde, que visem alertar a importância do cuidado com a saúde mental, afim de que, como resultado, os órgãos educacionais e trabalhistas, por sua vez, respeitem as limitações apresentadas por seu público. Assim, o cenário caótico de “Take your pills” não mais será um problema no presente século.