Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 29/09/2019
O comércio de medicamentos sem a devida prescrição médica é reconte no Brasil. No entanto, a automedicação é prejudicial tanto ao indivíduo quanto à sociedade, na medida em que pode levar à intoxicação – ou morte – dos usuários, além de acarretar seleção natural de bactérias mais resistentes. Sendo assim, a ampla difusão de informações quanto aos perigos do consumo de remédios sem orientação médica faz-se necessária.
Em uma análise preliminar, o uso irrestrito de fármacos provoca o mascaramento dos sintomas apresentados pelo paciente e, assim, dificulta o diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a cada três vendas de medicamentos, duas são feitas sem a devida prescrição médica. A exemplo disso, ansiolíticos, como o Alprazolam, por terem ação no sistema nervoso central, podem causar graves consequências psíquicas ao usuário. Ainda, a superdosagem medicamentosa pode levar o indivíduo à morte.
De outra parte, o uso do medicamento inadequado ocasiona o fortalecimento do agente causador da doença. Com a descoberta da penicilina – o primeiro antibiótico – por Alexander Fleming, a comunidade leiga a admitiu como um tratamento universal. Diante disso, as bactérias que são resistentes à ação do remédio passam a ser maioria no meio; essas bactérias são chamadas de “superbactérias”, como a KPC, por possuírem alto poder de contaminação e serem resistentes aos tratamentos convencionais.
Nesse viés, embora exista regulamentação quanto ao acesso a certos medicamentos, a fiscalização existente não é capaz de impedir que a lei seja burlada. Logo, cabe ao Ministério da Saúde a promoção de assídua fiscalização eficiente das vendas nas farmácias a fim de garantir o cumprimento das normas vigentes, além de viabilizar punições severas àquelas que descumprirem o regulamento. Ainda, compete a divulgação de campanhas frequentes veiculadas na televisão e na internet informando os riscos da automedicação, bem como as limitações das vendas. Dessa forma, a saúde pública do Brasil estará mais bem assegurada.