Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 04/10/2019

A descoberta da penicilina por Alexander Fleming, no século XX, contribuiu para o avanço da medicina, além de impulsionar a produção de novos medicamentos. Todavia, no Brasil, a automedicação irresponsável representa um grande risco para a saúde de milhões de pessoas, abrindo um debate sobre esse tema em pleno século XXI. A partir desse contexto, deve-se analisar falhas no sistema de saúde e o acesso à internet como fatores agravantes desse problema.

Em primeira análise, é possível identificar que deficiências no SUS, Sistema Único de Saúde, potencializa o uso de medicamentos sem orientação médica. Isso acontece devido a dificuldade da população em ter acesso aos meios de saúde pública, pois faltam médicos e estrutura para que todos sejam atendidos. De acordo com o Conselho Federal de Farmácias, 77% da população brasileira já fez o uso de algum medicamento por conta própria. Com isso, problemas como o surgimento de super bactérias preocupam os especialistas de todo o mundo, visto que elas são selecionadas pelo uso indiscriminado de antibióticos, por exemplo.

Outrossim, verifica-se, ainda, a facilidade para se obter informação sobre remédios nas mídias sociais como uma influencia para tal prática. Isso acontece devido ao fácil acesso à internet, além de que sites como o Google apresentam informações detalhadas sobre como o uso de fármacos deve ser feito. Contudo, o uso desses medicamentos sem devida orientação pode implicar sérios riscos, pois seus efeitos colaterais podem ser fatais. Em consequência disso, intoxicações, perda de peso e dependência psicológica são desdobramentos possíveis a partir dessa prática, o que reforça seu caráter prejudicial.

Diante dos aspectos mencionados, fica clara a necessidade de medidas para reverter a automedicação no país. Portanto, o Ministério da Saúde deve destinar maiores investimentos para a estruturação de hospitais e leitos, além de promover a contratação de novos médicos para que a população tenha pleno acesso a um sistema de saúde digno e capaz de atender a todos. Ademais, o Ministério Público Federal deve solicitar que sites na internet destaquem os riscos de se automedicar e que sempre orientem a procura de um profissional adequado.  Dessa forma, o país poderá superar esse debate, fazendo com que o avanço da indústria farmacêutica proporcione melhores condições de vida e não um risco a ela.