Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 11/10/2019

Por volta de 1900, ocorreu um episódio na cidade do Rio de Janeiro, em que um médico contratado para combater certas doenças, Oswaldo Cruz, impõe a vacinação obrigatória contra a varíola sem ofertar informações sobre a importância da mesma. Sendo assim, houve uma revolta popular intitulada “Revolta da vacina”, na qual as pessoas foram as ruas para combater a imposição. Muitos anos depois,

o que se vê é um cenário totalmente oposto do sucedido, uma vez que, mesmo cercado por informações, o indivíduo opta por realizar a automedicação, o que vem se tornando uma problemática social. Visto que, esse problema apresenta como um fator causador a medicação como produto comercializado, consequentemente pode trazer problemas de saúde em esfera tanto individual como coletiva.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a automedicação deriva da visão de um medicamento como um mero produto comercializável, esse olhar é criado através de comerciais televisionados e em redes sociais distribuídos pelas industrias farmacêuticas, o que faz a população fazer um uso irracional da droga. Podemos citar como exemplo o famoso comercial do “Benegrip”, no qual sempre que se via uma pessoa espirrar, todos ao redor gritavam pelo nome do remédio. Ou seja, esse tipo de comercial é problemático, dado que, uma pessoa que se encontra com o sintoma de espirro, acaba por acredita ser gripe e faz o uso dessa medicação sem fazer uma consulta com um médico para um diagnóstico correto.

Por consequência, o uso irracional de medicamentos além de causar problemas para o indivíduo, também pode acarretar em problemas de saúde para a sociedade. Tendo em vista que,  ao fazer o uso de um antibiótico incorretamente, por exemplo, a pessoa provoca a morte de bactérias, porém por não saber a dose correta, pode não acabar com todas elas, e as que sobram serão as mais resistentes e acabam por se multiplicar, tendo assim, o aparecimento de super bactérias e até mesmo de novas doenças. Isto é, o uso correto de de remédios não diz respeito apenas a saúde individual, mas a saúde coletiva, sendo importante, desta forma a cautela na automedicação para garantir o bem estar social.

Em suma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática da automedicação irracional. Nesse sentido, para que a conjuntura se reverta em uso racional dessas drogas, urge que as instituições de ensino juntamente com o Ministério da Saúde promova aulas em instituições de ensino tanto públicas quanto privadas, por meio de palestras e entrevistas com profissionais da saúde, como médicos e farmacêuticos, a cerca da automedicação consciente, até que ponto ela é recomendada e quando é aconselhável buscar ajuda profissional.